Mato Grosso do Sul
10.06.2026
Brincar também pode se tornar uma maneira de conhecer melhor o mundo
Há jogos que divertem. E há jogos que ampliam horizontes. Na Escola Estadual Luísa Vidal Borges Daniel, uma recente acolhida trouxe para o pátio duas experiências lúdicas originárias do continente africano. A Amarelinha Africana, conhecida como Teka em Moçambique, e o Shisima, um 'jogo da velha' do Quênia.
Mais do que brincar, os estudantes foram convidados a conhecer uma África criativa, lógica e portadora de uma sabedoria que enriquece qualquer sala de aula.
Dois jogos, dois mundos descobertos
A Teka — a Amarelinha Africana, é popular em países como Moçambique e guarda diferenças essenciais em relação à versão brasileira. Não usa pedrinhas e não tem como objetivo avançar individualmente até o topo. Em vez disso, trabalha coordenação motora global, ritmo, lateralidade e expressão corporal. O corpo inteiro se torna ferramenta de aprendizagem.
O Shisima, originário do Quênia, pertence à família dos jogos de alinhamento, mas com uma dinâmica mais rica e complexa. Exige raciocínio lógico, visão geométrica, estratégia e tomada de decisão. Habilidades essenciais para a formação integral dos estudantes, que chegaram à escola pela via lúdica e cultural.
Estudantes como protagonistas
Quando um estudante joga Shisima ou experimenta os passos da Teka, ele aprende que o conhecimento é plural e diverso.
Que existe uma lógica africana tão rica quanto qualquer outra. E que brincar pode ser uma das formas mais poderosas de aprender, especialmente quando o jogo vem de um lugar que ainda tem muito a contar.
Escola de descoberta cultural
A iniciativa integra as ações de educação para as relações étnico-raciais desenvolvidas pela escola, valorizando a diversidade cultural como caminho para uma aprendizagem mais inclusiva e conectada com a pluralidade que forma a sociedade brasileira.
A diretora Valéria de Oliveira ressalta que a acolhida oferece conhecimento sem que o estudante perceba que está em aula.
"Quando a criança joga Shisima, ela está usando lógica, estratégia e geometria sem saber que está na aula. E quando experimenta a Teka, descobre que outras culturas têm muito a ensinar de um jeito que nenhum livro consegue substituir”, destaca Valéria.
Gilberto Junior, SED
Fotos: Arquivo Escolar