Amazonas
29.10.2026
Alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio do Centro Educacional de Tempo Integral (CETI) Áurea Pinheiro Braga, localizado no bairro Compensa, zona oeste de Manaus, participaram, na terça-feira (27/10), do evento de lançamento da versão impressa do livro “Gramática da Língua Kambeba”, dos autores Raimundo Cruz da Silva Kambeba e Ademar dos Santos Lima. O livro narra os saberes e a trajetória do povo Kambeba, conectando ancestralidade, educação intercultural, identidade amazônica e desenvolvimento sustentável.
A iniciativa da impressão e lançamento da obra na unidade de ensino partiu da jovem embaixadora de impacto social Joana Gastaldi, em parceria com a Amazônia B, o Instituto Ecoleta e a comunidade indígena Três Unidos, localizada às margens do rio Cuieiras, no Amazonas. O principal objetivo é ampliar o acesso e fortalecer a transmissão dos conhecimentos ancestrais às novas gerações.
“Nós tentamos, enquanto Secretaria de Educação, manter essas tradições, valorizar a língua materna desses povos, trazendo para os nossos estudantes esses conhecimentos tão ricos que as comunidades tradicionais têm no nosso estado e na nossa capital”, reiterou a secretária executiva adjunta da Capital, da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, Edilene Pinheiro.
Imersão na cultura amazônica
Uma língua preserva histórias, conhecimentos, modos de viver e a identidade de um povo. No livro, são registrados a língua e os conhecimentos do povo Kambeba, também conhecido como Omágua, historicamente associado aos povos das águas da Amazônia. De acordo com o professor Kennedy Pinheiro, coordenador da área de Humanas do CETI Áurea Pinheiro Braga, a preservação das línguas indígenas é fundamental para a continuidade dos conhecimentos tradicionais e da identidade dos povos originários.
“A obra tem uma relevância muito grande, tendo em vista que a escola possui uma diversidade de alunos, nós temos alunos negros, indígenas, imigrantes, então é importante que a escola consiga abrir as portas para esses projetos, e essas obras consigam sair da universidade e chegar até aqui, para que nós, professores, possamos trabalhar juntamente com os alunos e valorizar essas pautas etnico-raciais”, reiterou o professor.
Durante o evento de lançamento, os estudantes participaram de uma roda de conversa com o tema “Imersão na Cultura Amazônica”, com a participação da jovem embaixadora de impacto social Joana Gastaldi, de 17 anos. Para Joana, a iniciativa é uma oportunidade importante para que outros jovens se sintam inspirados em tomar para si o papel de protagonismo na transmissão dos conhecimentos originários.
“A gente representa o futuro das próximas gerações, e eu acredito que fazer, ainda que pequenas ações, influencia os demais jovens a mudar, a se tornar pessoas melhores, mais conscientes, e eu espero que a nossa conversa tenha ajudado os alunos de alguma forma nesse sentido”, disse Joana.
A aluna Ana Beatriz, 18, da 3ª série do Ensino Médio, acredita que discutir temas relacionados aos povos indígenas mostra como o conteúdo apresentado na escola também tem impacto na formação cidadã dos alunos, que entendem a importância de manter essa memória viva para que as futuras gerações também possam conhecer o passado com mais evidências.
“A gente perde muito da nossa história por falta de interesse das pessoas ou por falta de estímulos para aprender, então esses momentos que retratam a nossa cultura mostram o que realmente é o Brasil, como foi feita a construção do nosso país, então eu fico muito agradecida por conseguir estudar sobre um outro vocabulário, e fico muito honrada e feliz por ter a oportunidade de ter acesso a essa obra”, afirmou Ana Beatriz.
FOTO: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar