Escolas estaduais de Paranã promovem 1º Encontro de Intercâmbio Ancestral

Tocantins

18.05.2026

Para celebrar a diversidade cultural no Brasil, instituições de ensino realizaram 1º Encontro de Intercâmbio Ancestral com alunos da Escola Estadual Floresta, localizada no distrito de Campo Alegre, e do Colégio Estadual Desembargador Virgílio de Melo Franco, de Paranã. O evento contou com a presença da professora e ativista, Claudenira Almeida, da susseira quilombola, Deuzilene Torres, e do mestre ancião quilombola, Renil Alves, esses três convidados representaram as Comunidades Quilombolas de Claro, Prata e Ouro Fino. O encontro foi realizado no último dia 14.

O evento foi marcado por troca de saberes e conversas sobre a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Quilombola (Pneerq), que é uma diretriz do Ministério da Educação destinada ao combate do racismo e da desigualdade nos ambientes de ensino. 

A ação faz parte do projeto “Do Quilombo à favela”, que promove estudos e conversas sobre a história de resistência, memória e identidade negra. O professor Fernando Maciel Vieira, que leciona Geografia no Colégio Estadual Desembargador Virgílio de Melo Franco, explicou que os estudantes participaram ativamente da organização do evento, contribuindo com a montagem do espaço, a recepção dos participantes, a distribuição de materiais e o apoio logístico durante os turnos da manhã e da tarde. “Essa inserção no processo organizativo foi, em si mesma, uma experiência formativa, que aproximou os estudantes de práticas de gestão coletiva, responsabilidade e trabalho cooperativo”, explicou o professor Fernando.

Os estudantes produziram relatórios individuais ou em grupo sobre suas aprendizagens e impressões ao longo das atividades. “Nesses registros, os alunos articularam os conteúdos trabalhados nas sessões da mesa-redonda e da oficina cultural com reflexões pessoais sobre identidade, memória e resistência negra, demonstrando apropriação crítica dos temas abordados”, destacou Fernando. 

As ações relacionadas à educação antirracista acontecem nas unidades de ensino ao longo do ano com atividades como estudo orientado, palestras, indicação de vídeos e debates em sala de aula. Algumas dessas ações são realizadas no mês de maio, lembrando as lutas abolicionistas.

A professora Claudenira Almeida ressaltou a relevância do projeto para a comunidade escolar. “O encontro teve como objetivo promover o intercâmbio cultural, pedagógico e ancestral entre as duas instituições de ensino participantes, com ênfase na valorização da história local dos territórios quilombolas situados no distrito de Campo Alegre, na preservação da memória e na afirmação identitária das comunidades do Claro, Prata e Ouro Fino”, afirmou Claudenira.

O estudante Jefferson Pereira Cézario, 12 anos, da Escola Estadual Floresta, destacou as aprendizagens. “Eu gostei muito de apresentar e aprendi muito sobre as tradições e cultura dos povos Kalunga, como também as dicas de remédios utilizados nas comunidades”, contou.

A aluna Laura Gabriela Pereira Pimentel, 16 anos, presidente do Grêmio Estudantil da Escola Estadual Desembargador Virgílio de Melo, ressaltou a necessidade de as pessoas desenvolverem uma consciência de combate ao racismo. “Eu achei esse encontro muito importante, porque ajudou os alunos a conhecerem mais sobre a cultura quilombola e entenderem a importância do respeito às diferenças. Como gremista e também como aluna, acredito que isso vai impactar muito os estudantes e ajudar a reduzir os preconceitos, trazendo mais consciência, respeito e valorização da cultura quilombola”, comentou.

 

Edição: Ana Luiza da Silva Dias/Governo do Tocantins

Revisão Textual: Liliane Oliveira/Governo do Tocantins

Joselia de Lima/Governo do Tocantins