Mato Grosso
06.05.2026
Lais Soares | Seduc-MT
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) participa, ao longo desta quarta-feira (06.05), do Encontro do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) – Região Centro-Oeste, em Cuiabá. O evento tem como objetivo prevenir ataques extremistas violentos no ambiente escolar.
O encontro reúne representantes da educação, da segurança pública e especialistas em inteligência para discutir estratégias integradas de prevenção à violência, com ênfase na atuação das redes de ensino na identificação precoce de situações de risco, no fortalecimento da cultura de paz e na construção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores.
De acordo com a secretária de Educação, Flávia Soares, Mato Grosso vem estruturando, desde 2023, uma política mais integrada de prevenção à violência nas escolas, com o uso de dados, o fortalecimento da parceria com órgãos de inteligência e a formação de profissionais para atuarem em situações de risco.
“Não vamos conseguir prever todas as situações, mas investir na formação dos nossos profissionais e na identificação precoce de riscos é o que vai garantir uma escola mais segura. É fundamental que o professor não se sinta sozinho e que tenha o apoio de uma rede estruturada”, afirmou.
Ainda segundo ela, a criação de uma área estratégica de inteligência de dados na Seduc tem permitido mapear ocorrências e transformar informações em ações de prevenção mais eficazes, fortalecendo a atuação em rede e a construção de ambientes escolares mais seguros.
“A escola precisa ser um espaço seguro, de pertencimento e de desenvolvimento. Por isso, também investimos em ações que aproximam a comunidade escolar, especialmente em regiões mais vulneráveis, fortalecendo esse vínculo e promovendo a cultura de paz”, completou.
Para o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Luiz Fernando Correa, a prevenção à violência nas escolas passa pela compreensão de que o ambiente escolar é essencial para a formação da sociedade e deve ser protegido de forma integrada, considerando a diversidade e o convívio entre diferentes como elementos fundamentais da educação.
“A escola é um espaço de convivência com a diversidade, e isso faz parte da sociedade. Não pode, em hipótese alguma, ser motivo de violência. Proteger esse ambiente é proteger o futuro do país”, destacou.
O diretor enfatizou, ainda, que o enfrentamento aos ataques em escolas exige a atuação conjunta entre instituições e a construção de políticas públicas baseadas na cooperação e no compartilhamento de conhecimento, com o papel da inteligência de apoiar, articular e facilitar esse processo.
“Nenhuma instituição, por mais capacitada que seja, consegue enfrentar esse problema sozinha. O nosso papel é produzir conhecimento e atuar como facilitador no sistema, promovendo a integração entre os diferentes órgãos. Esse é um esforço coletivo, que depende da experiência e da atuação de cada instituição”, acrescentou.
Na rede estadual, a Seduc vem desenvolvendo, ao longo dos anos, uma Política de Promoção da Cultura de Paz, com foco na redução sistemática da violência no ambiente educacional. A iniciativa parte do princípio de que a escola deve ser um espaço de garantia de direitos e de proteção integral de crianças e adolescentes, atuando de forma preventiva e formativa.
Atualmente, a política está presente nas 630 escolas da rede, com a atuação de 109 equipes multiprofissionais, formadas por assistentes sociais e psicólogos, além de 140 professores mediadores. O trabalho tem fortalecido a mediação de conflitos, o acompanhamento de estudantes e o apoio às famílias.
O alto engajamento das unidades escolares nas campanhas de promoção da cultura de paz alcançou 82% nas ações realizadas em 2026, com iniciativas voltadas a temas como direitos humanos, saúde mental e enfrentamento à violência.
No ano passado, mais de 63 mil estudantes foram acompanhados por professores mediadores, com a realização de quase 8 mil práticas restaurativas. Além disso, as equipes multiprofissionais registraram mais de 45 mil ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência, incluindo mediações escolares, ações contra o bullying e o cyberbullying, bem como atividades de sensibilização para a saúde mental.
Os dados apontam, ainda, redução em diferentes tipos de ocorrência no ambiente escolar entre 2024 e 2025, como casos de bullying, cyberbullying, violência de gênero e capacitismo, evidenciando os resultados das ações preventivas implementadas pela rede.