Mato Grosso
23.01.2026
Rui Matos | Seduc-MT
A Semana Pedagógica 2026 ganhou um reforço importante ao incluir a educação financeira como eixo de sensibilização e formação dos profissionais da rede estadual de ensino. Entre os dias 20 e 23 de janeiro, em Cuiabá, a parceria entre a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) e o Sicredi promoveu atividades voltadas ao planejamento financeiro, ao consumo consciente e à relação cotidiana com o dinheiro, ampliando o repertório pedagógico dos educadores.
Consolidada como um dos principais momentos de organização do ano letivo, a Semana Pedagógica reúne profissionais das 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs) e marca a abertura oficial do calendário escolar de 2026. O encontro estabelece diretrizes pedagógicas, administrativas e de gestão para as 628 escolas da Rede Estadual de Ensino, além de integrar servidores que ingressam ou retornam às atividades, fortalecendo o alinhamento das ações para o ano que se inicia.
Para o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, a presença do Sicredi no evento dialoga diretamente com a proposta de ampliar a educação financeira como parte da formação integral dos estudantes. Segundo ele, a iniciativa contribui para aproximar o tema da realidade vivida pelos alunos e do cotidiano de trabalho dos professores da rede.
“A parceria com o Sicredi é estratégica porque leva a educação financeira para a vida dos nossos estudantes desde o Ensino Fundamental, formando cidadãos mais conscientes, responsáveis e preparados para tomar decisões ao longo da vida. Ao mesmo tempo, a presença da cooperativa de crédito fortalece esse compromisso com a formação integral, ao dialogar diretamente com nossos professores e gestores sobre práticas que conectam a escola à realidade das famílias e da comunidade”, avalia Alan Porto.
Durante o evento, o Sicredi promoveu oficinas de Educação Financeira direcionadas a professores e demais profissionais da rede, além de manter um estande institucional para apresentar programas desenvolvidos junto à comunidade escolar.
Ao todo, foram realizadas 12 oficinas com o tema “Descomplicando o Dinheiro”, distribuídas ao longo dos quatro dias, com foco em conversas práticas e acessíveis sobre a relação das pessoas com as finanças, considerando hábitos, emoções e comportamentos que influenciam as decisões do dia a dia.
A proposta das oficinas é ampliar a compreensão sobre educação financeira a partir de situações reais, oferecendo ferramentas para que os professores abordem o tema em sala de aula de maneira simples, aplicada e conectada à vivência dos estudantes.
De acordo com a gerente de Sustentabilidade e Cooperativismo do Sicredi, Daniela Lepinsk Romio, a participação no evento reforça a parceria com a Seduc e possibilita um diálogo direto com os educadores da rede estadual, além de apresentar iniciativas que apoiam o trabalho pedagógico, como o programa Finanças na Mochila, que passa a integrar a grade curricular em 2026.
“Somos muito gratos à Seduc por nos convidar a participar de um momento tão importante como a Semana Pedagógica. É um evento de grande porte, que reúne milhares de profissionais da educação, e que nos dá a oportunidade de realizar oficinas, dialogar com os educadores e apresentar o programa Finanças na Mochila, que, implantado em 2026. Essa participação facilita o trabalho dos professores da rede estadual quando a educação financeira chega à sala de aula e fortalece a parceria que o Sicredi já mantém com a Seduc em seus programas educacionais, como A União Faz a Vida, as Cooperativas Escolares e o Finanças na Mochila”, destaca.
A experiência das oficinas também impacta diretamente a prática docente. Professor de Matemática na EEDIEB Creuslhi De Souza Ramos, em Confresa, o educador Edson da Silva Guimarães Ramos, de 42 anos, relata que a educação financeira transformou sua rotina pessoal e passou a influenciar o trabalho desenvolvido com os estudantes.
Segundo ele, que também é associado do Sicredi, dificuldades financeiras vividas no início do casamento deram lugar à organização e ao planejamento.
“Quando me casei, tinha muita dificuldade com as questões financeiras. Com o apoio da minha esposa, começamos a nos organizar, montar planilhas, pagar dívidas e depois abrimos uma conta conjunta. A partir disso, conseguimos organizar melhor os salários, pagar as contas, poupar e até começar a investir. Isso mudou completamente nossa relação com o dinheiro”, contou.
Após participar da oficina, o professor afirmou ter reconhecido práticas que já aplicava e identificado aspectos que ainda podem ser aprimorados. “O curso foi muito bom porque eu me vi em várias situações apresentadas. Algumas ações eu já fazia e outras percebi que preciso melhorar. É um conteúdo que eu preciso levar para os meus estudantes”, afirmou.
Edson também ressaltou a relevância do tema para escolas localizadas em regiões periféricas, onde muitos alunos têm pouco contato com educação financeira fora do ambiente escolar.
“Já costumo falar de educação financeira em sala de aula, baseado na minha experiência. A gente tenta contribuir com os estudantes por meio de oficinas e disciplinas eletivas, mas essa formação vai ajudar muito mais. É importante tanto para nós, profissionais da educação, quanto para os alunos”, concluiu.