Bahia
27.04.2026
A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) realizou, neste último final de semana, a formatura intercultural dos cursos de Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena e Licenciatura em Pedagogia Intercultural em Educação Escolar Indígena, promovidos pelo Campus Intercultural Opará, no Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias (DCT XXVI). A cerimônia marcou a conclusão da graduação de 45 novos educadores indígenas dos povos Tuxá, Kiriri, Kaimbé, Pankararé e Xucuru-Kariri, reunindo formandos, familiares, lideranças e representantes institucionais.
A solenidade foi marcada por momentos simbólicos e culturais, evidenciando a diversidade dos povos representados e a importância da educação como instrumento de fortalecimento das identidades indígenas. Durante a cerimônia, foram destacadas as trajetórias dos estudantes ao longo da formação, que envolveu períodos de alternância entre atividades acadêmicas e práticas desenvolvidas em suas comunidades.
Os cursos são voltados à formação de professores indígenas e têm como base uma proposta pedagógica que articula saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais, respeitando as línguas, culturas e os modos de vida dos povos originários. Durante a formação, os estudantes desenvolvem práticas voltadas às realidades de suas comunidades, fortalecendo a educação escolar indígena em diferentes regiões da Bahia.
A formatura acontece em um contexto simbólico, marcado pelas celebrações do Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, data que reforça a importância da valorização das culturas, histórias e direitos dos povos originários no Brasil.
Para a diretora de Educação dos Povos e das Comunidades Tradicionais da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Poliana Reis, a formatura representa um avanço significativo. “Este momento simboliza a conquista de uma formação que respeita e valoriza as identidades, os saberes e os territórios. E o 19 de abril reforça a importância de ampliarmos esse debate nas escolas e na sociedade, reconhecendo a força, a resistência e as contribuições dos povos indígenas para a nossa história e cultura”, destacou.
Ações nas escolas e mobilização estadual
Em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia promoveu uma série de atividades nas unidades escolares da rede estadual, com foco na valorização das identidades indígenas e no fortalecimento do respeito à diversidade cultural. As ações envolveram rodas de conversa, apresentações culturais, exposições temáticas, produção de trabalhos pedagógicos e debates sobre a história, os direitos e os desafios enfrentados pelos povos originários.
Além das atividades nas escolas, a Coordenação de Educação Escolar Indígena da SEC participou do Acampamento Terra Livre 2026, em Brasília, fortalecendo o diálogo sobre educação, resistência e valorização das artes, culturas e tradições dos povos indígenas.
Balanço da Educação Indígena na Bahia
A Educação Indígena na Bahia tem avançado de forma consistente, evidenciando o compromisso do Estado com a garantia de uma educação específica e de qualidade para os povos originários. Atualmente, são atendidos 7.597 estudantes em 74 espaços escolares, com 13 unidades em obras, o que demonstra a continuidade dos investimentos na melhoria da infraestrutura. Entre 2019 e 2026, foram finalizadas 56 intervenções, entre reformas, ampliações e novas construções, ampliando o acesso e qualificando os ambientes de aprendizagem nas comunidades indígenas.
No campo pedagógico, o fortalecimento da rede também se reflete na valorização dos profissionais da Educação. Ao todo, 395 professores indígenas foram convocados nos anos de 2025 e 2026, garantindo a ampliação da oferta de um ensino diferenciado, alinhado às especificidades culturais, linguísticas e territoriais dos povos atendidos. A presença desses educadores nas escolas contribui diretamente para a preservação dos saberes tradicionais e para a construção de práticas pedagógicas contextualizadas.
Como continuidade dessa política, o Novo PAC 2026 projeta um investimento de R$ 36,3 milhões para a implantação de quatro novas unidades escolares em três municípios baianos. As escolas serão construídas em Prado (localidades de Tiba e Gurita), Banzaê (Cajazeira) e Glória (Serrota), atendendo povos como Pataxó, Kiriri e Pankararé. A iniciativa reafirma o compromisso do Estado, por meio da SEC, com a consolidação de uma Educação Indígena diferenciada, fortalecendo identidades, territórios e o direito à educação de qualidade para as comunidades tradicionais.
Fonte: Elisabeth Guerra – Ascom/SEC
Crédito foto: Félix Mattos