Mato Grosso
23.10.2026
Laís Soares | Seduc-MT
Dois projetos de estudantes da Escola Estadual Cívico-Militar José Aparecido Ribeiro, de Nova Mutum, foram selecionados para a etapa estadual da XVIII Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI). As propostas abordam a participação das mulheres na ciência e o uso de tecnologia para monitorar condições ambientais e orientar o consumo de energia na escola.
Promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT), a etapa estadual da MECTI ocorre de 21 a 23 de outubro, em Cuiabá. Os projetos selecionados são “As Cientistas e suas Contribuições para Ciências, Tecnologia e Inovação” e “MakerLab 2.0: Prototipagem de Soluções Sustentáveis”.
Desenvolvido pela estudante Ana Carolinny Almeida Ferreira, sob orientação da professora Andréia Vaz Gomes, o projeto “As Cientistas e suas Contribuições para Ciências, Tecnologia e Inovação” busca dar visibilidade a mulheres que contribuíram para o avanço científico e tecnológico, mas nem sempre receberam reconhecimento. A proposta também pretende incentivar meninas a considerar a ciência como possibilidade de formação e carreira.
Para reunir informações sobre cientistas e suas descobertas, Ana Carolinny pesquisou fontes e aprendeu a estruturar um site. Segundo a professora Andréia, a iniciativa surgiu da necessidade de divulgar o trabalho dessas mulheres e inspirar novas gerações. “Essa iniciativa veio da necessidade de divulgarmos os trabalhos das cientistas mulheres para que servissem de inspiração para as meninas seguirem também carreiras acadêmicas e científicas”, explica.
O interesse de Ana Carolinny pela ciência começou com a influência das professoras e as atividades do Clube de Ciências Decolar, da escola. Durante a pesquisa, um dos desafios foi localizar informações completas e confiáveis sobre algumas cientistas.
“Com esse projeto, aprendi que nós, mulheres, também podemos ocupar espaços em áreas onde há mais homens e que somos capazes de conquistar tudo o que queremos”, afirma a estudante. A experiência também influenciou seus planos profissionais. “Atualmente, pretendo seguir na área da ciência, tecnologia e inovação, e fazer diferença assim como as grandes cientistas que estão no meu projeto”, destaca.
Eficiência energética na escola
Também desenvolvido na escola, o projeto “MakerLab 2.0: Prototipagem de Soluções Sustentáveis” planeja criar o ClimaMaker, um sistema para monitorar as condições ambientais e fornecer informações que possam orientar o uso dos aparelhos de ar-condicionado.
A ideia surgiu no Clube de Ciências Decolar, depois que o estudante Ryan Fernando Dehrun da Silva observou aparelhos que, segundo ele, permaneciam ligados por longos períodos. A partir da pergunta sobre o consumo de energia, os estudantes começaram a buscar uma solução tecnológica para identificar situações de uso desnecessário dos equipamentos.
Segundo a professora orientadora Rosemilda Teixeira dos Santos, o sistema deverá usar um microcontrolador e sensores de temperatura e umidade para coletar dados em tempo real. As informações poderão ajudar a avaliar as condições térmicas das salas e orientar decisões sobre ajustes de temperatura e acionamento dos aparelhos. A automação está prevista para uma etapa posterior.
O ClimaMaker está em fase de planejamento e definição dos componentes necessários à construção do protótipo. Ainda não foram feitos testes práticos que permitam confirmar o funcionamento do sistema ou seus possíveis efeitos sobre o consumo de energia. A integração dos componentes, a confiabilidade das medições e a interpretação dos dados estão entre os desafios técnicos apontados por Rosemilda.
Ryan conta que precisou aprender a programar e montar circuitos para desenvolver o projeto. “Com a orientação da professora, estamos aprendendo e avançando na construção do sistema”, explica.
Depois de construído e validado, o ClimaMaker poderá ajudar a identificar situações de uso desnecessário dos aparelhos e apoiar decisões sobre o consumo de energia na escola. A expectativa, porém, ainda não foi confirmada por testes.
Para Rosemilda, dificuldades técnicas e resultados inesperados fazem parte da investigação científica, pois levam os estudantes a rever hipóteses, compreender limitações e propor melhorias.