Estudantes criam jogo eletrônico para conscientizar sobre acessibilidade urbana

Mato Grosso do Sul

14.04.2026

Um jogo que ensina a enxergar o mundo pelos olhos de quem enfrenta barreiras

Em um momento em que a tecnologia e a inclusão se tornam pilares essenciais na sociedade, estudantes da Escola Estadual Maria da Glória Muzzi Ferreira, em Dourados, foram além do conteúdo curricular e criaram um jogo eletrônico que coloca o jogador no lugar de uma pessoa com deficiência nas ruas da cidade.

O projeto integra o PICTEC (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica) do Estado de Mato Grosso do Sul e resultou no Mobiliza Play, um simulador de cidade inteligente com foco em acessibilidade, desenvolvido na plataforma Construct 3 - Game Making Software.

Uma cidade que desafia quem joga

No Mobiliza Play, o jogador assume o papel de uma pessoa com deficiência e enfrenta os obstáculos reais do cotidiano urbano. Calçadas sem rampas, ausência de sinalização acessível, transporte inadequado... E, a medida que o jogo avança, a cidade evolui, mas os desafios também aumentam.

A proposta não é apenas entreter, mas provocar empatia e reflexão sobre o que significa viver em espaços que não foram pensados para todos.

O projeto se alinha ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 da ONU, que visa tornar as cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. Uma iniciativa que dialoga, diretamente, com as diretrizes da BNCC sobre pensamento computacional, cultura digital e desenvolvimento integral.

Estudantes protagonistas

O jogo foi desenvolvido pelos estudantes bolsistas do PICTEC, Alex Lima, Ester Rosal, Fernando Lima e Maria Eduarda Nunes, que passaram por três etapas de trabalho científico.

No planejamento, realizaram reuniões quinzenais, estudaram programação e design de jogos e entrevistaram pessoas com deficiência para entender suas dificuldades reais e orientar as soluções do simulador.

No desenvolvimento, criaram os elementos gráficos e funcionais do jogo na plataforma Construct 3 e, na fase de testes, aplicaram o simulador com oito estudantes do Ensino Médio divididos em grupo experimental e grupo controle, coletando dados sobre jogabilidade, inclusão e percepção de acessibilidade.

E seguiram refinando o produto com base nos resultados, sendo aprimorado para sua versão final e disponibilização online.

O professor mediador

A iniciativa foi idealizada e orientada pelo professor de Matemática, Gustavo Martins, que trouxe ao projeto a articulação entre o pensamento computacional com as diretrizes educacionais e o compromisso social da inclusão.

"Você deixa de ver a acessibilidade como um detalhe técnico e começa a entendê-la como um direito”, enfatiza o professor Gustavo.

A experiência demonstra como um planejamento docente intencional pode transformar um conteúdo curricular em uma ferramenta de transformação cultural.

A escola como espaço de criação

O Mobiliza Play foi divulgado dentro da própria escola por meio de cartazes com QR Code afixados no pátio central e nos três blocos de salas de aula, permitindo que todos os estudantes jogassem e vivenciassem a experiência.

O projeto também foi compartilhado nas redes sociais da escola e apresentado na Fecigran (Feira de Ciência e Tecnologia da Grande Dourados) no (IFMS) Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, ampliando seu alcance para além dos muros da escola.

O diretor da EE Maria da Glória Muzzi Ferreira comemora a conquista e o alcance do projeto pedagógico. "O Mobiliza Play mostra que nossa escola produz ciência com propósito aonde um jogo não serve apenas para competir, mas para incluir”, destaca Pascolalino Angelico.

Gilberto Junior, SED

Foto: arquivo escolar