Mato Grosso do Sul
14.04.2026
Quando inovar é, acima de tudo, ressignificar o espaço e o processo de aprender
Em um momento em que a educação busca pontes entre o conhecimento científico e a vida real, a Escola Estadual Maestro Heitor Villa-Lobos, em Campo Grande, colhe os frutos de um projeto que começou com sementes e chegou até o Arduino.
O Arduino é uma plataforma de prototipagem eletrônica de código aberto usada para criar projetos interativos, automação, robótica e a internet das coisas.
A atividade pedagógica une cultivo, sustentabilidade, alimentação saudável e automação em uma experiência que envolve estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio Integral.
O projeto batizado de ‘Maestro da Horta’, homenageia o compositor que dá nome à escola.
Duas abordagens, um mesmo propósito
O projeto se desdobra em duas frentes complementares. A primeira, já iniciada em março de 2026, é o 'Cultivar para Crescer' - uma horta consorciada que trabalha diferentes técnicas de cultivo sustentável, desde o consórcio clássico até o vertical e o repelente de pragas.
A ação integra educação ambiental, alimentação saudável e trabalho coletivo na produção de alimentos que complementam, diretamente, a alimentação escolar; fechando o ciclo entre o que se aprende e o que se come.
As aulas práticas acontecem no espaço da horta, com oficinas de compostagem, rodas de conversa e registros digitais.
Para a aluna Beatriz, do 1º B, a horta “é um lugar divertido, porque ensina sobre cultivo, sustentabilidade e trabalho em equipe”. Enquanto, Yasmin Evelin, do 9º A, considera que “cuidar da horta ensina a ter paciência, responsabilidade a amor pela natureza”.
A segunda frente é a Tecnologia Sustentável, vinculada ao PICTEC (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica) de Mato Grosso do Sul.
Estudantes bolsistas do Ensino Médio, orientados pelo professor Fernando Sian Oliveira, desenvolvem um sistema de irrigação automatizado com sensores de umidade, microcontroladores Arduino e painéis solares.
A experiência pedagógica integra Física, Programação, Robótica e Ciências Ambientais em um único produto tecnológico com impacto real na escola, que tem ainda, lousa digital, laboratório didático móvel, kit de jardinagem e celulares para registro audiovisual.
Estudantes como protagonistas
As vozes dos alunos revelam o alcance do projeto. Desde o aprender sobre o ciclo das plantas até entender sobre sistemas de irrigação, e cada estudante vive uma experiência diferente. E todas convergem para o mesmo ponto; a percepção de que, o que fazem, tem valor real.
Entre os estudantes bolsistas do PICTEC, Tharso Feroldi (2º A), resume bem essa transformação. Para ele, aprender sobre cultivo e sustentabilidade significa, também, aprender a cuidar do que existe.
A Rafaela Alves Barbosa (2º A), destaca os valores que o projeto promove além do conteúdo, a cooperação responsável e a organização que complementam o aprendizado da sala de aula.
Já Any Beatriz de Oliveira Florentino (2º A), acompanha de perto a fase inicial, desde a preparação do solo, a limpeza da área e a antecipação do plantio da alface que está por vir.
Educadores como mediadores
Este ano, o projeto está sendo conduzido pelos PCAs (Professores Coordenadores de Área) Fernando Sian Oliveira (de Ciências da Natureza) e Cleiton Alves Rodrigues.
E, também, pelo Professor de Práticas de Socialização e Convivência, Murilo Bomfim Marchezini, com o apoio da PCPI (Professora Coordenadora de Práticas Inovadoras), Larissa Arruda Salvá.
A proposta se fundamenta na pedagogia de Paulo Freire, priorizando a aprendizagem pela experiência e pelo diálogo, e conecta com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) na integração das tecnologias digitais com a Educação Ambiental como tema transversal.
A escola como espaço de criação
O ‘Maestro da Horta’ reafirma que inovação pedagógica não exige grandes estruturas; exige intenção. Ao unir o cultivo manual à automação, a escola demonstra que sustentabilidade e ciência podem começar no pátio da escola.
Para a PCPI, Larissa Arruda Salvá, o projeto reforça a premissa de que a verdadeira inovação reside no ponto de vista prático e pedagógico. “Inovar é, acima de tudo, ressignificar o espaço e o processo de aprender,” ressalta Larissa.
O professor Fernando Sian Oliveira considera a proposta significativa. “Integrar teoria e prática tem favorecido uma aprendizagem mais significativa e despertado maior interesse dos alunos pelos conteúdos," destaca Fernando.
A assessora escolar, Ana Oliveira, também enfatiza a importância da educação interdisciplinar na prática. “Estamos colhendo nutrição de qualidade com tecnologia do futuro,” complementa Ana.
Gilberto Junior, SED
Fotos: arquivo escolar