Escola estadual desenvolve Clube de Leitura Indígena em parceria com universidade

Tocantins

03.06.2026

Um projeto que está fazendo muito sucesso na Escola Estadual João Aires Gabriel, em Palmeirante, é o Clube de Leitura Indígena, responsável por levar aos estudantes, a literatura, a cultura e a cosmovisão indígena do Tocantins e do Brasil.

O projeto está sendo desenvolvido por meio da parceria com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), que disponibiliza o Laboratório de Línguas Indígenas (Lali) e o Núcleo de Estudos e Pesquisas com Povos Indígenas (Neppi). E estão na coordenação do projeto o professor e pesquisador Francisco Edviges Albuquerque e a professora Danielle Mastelari Levorato.

Na escola, o projeto ganhou forma com leituras e discussão de poemas, crônicas, lendas, histórias em quadrinhos de autores indígenas e não indígenas e os materiais disponíveis no Laboratório de Línguas Indígenas.

A atividade contempla habilidades da Matriz de Recomposição das Aprendizagens, das áreas de Linguagens e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida como projeto interdisciplinar entre as áreas de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, sob coordenação dos professores Felipe Maranhão e Lisléia Macedo, com o apoio de outros docentes da escola.

“O projeto amplia o repertório literário e cultural, apresentando uma literatura rica e bela, que por muito tempo foi ignorada pelos currículos escolares. Ao mesmo tempo, abre caminho para discussões sobre diversidade, raça e gênero, temas que atravessam as narrativas indígenas e dialogam diretamente com a realidade dos jovens da escola pública. Mais do que conhecer o outro, os estudantes são convidados a rever os silêncios da própria história e a reconhecer, na diversidade dos povos originários, uma herança que também é sua. Mesmo nossa escola não sendo indígena, essas ações são resultado do incentivo do Programa de Fortalecimento da Educação – PROFE Indígena , desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação e desdobramento do desejo de uma educação antirracista”, explicou a professora Lisléia.

O professor Felipe Maranhão, coordenador pedagógico da Área de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, destacou a importância da ação. “Este é um projeto literário e antirracista, que articula leitura, escrita e oralidade e que possibilita o conhecimento de saberes historicamente minorizados, produzidos por indígenas e, muitas vezes, ignorados pelo currículo escolar. Nele, os estudantes têm a oportunidade de conhecer diferentes culturas, histórias e produções literárias, ampliando sua compreensão da diversidade que constitui a sociedade brasileira”, afirmou.

A estudante Letícia Marques, 13 anos, expressa suas percepções. “O projeto nos mostrou que os povos indígenas possuem uma cultura rica e diversificada. Pude descobrir vários autores indígenas, durante as aulas diárias, com a professora Roseny. Iniciamos a aula de Português lendo poemas, crônicas ou lendas indígenas, e depois discutimos”, contou.

O aluno Moises Alves, 13 anos, disse que um dos seus melhores dias no projeto foi a homenagem que fizeram aos povos maias. “No dia, cada participante trouxe de casa um prato feito à base de milho, já que esse era um dos principais alimentos desse povo. Depois, apresentamos os pratos aos colegas e professores. Assim, pudemos conhecer melhor a cultura maia e aprender de forma prática sobre seus costumes. Então o projeto ajuda a gente a conhecer autores e a cultura indígena”, ressaltou.

 

 

 

Edição: Fábio Almeida/Governo do Tocantins

Revisão Textual: Liliane Oliveira/Governo do Tocantins

Joselia de Lima/Governo do Tocantins