Tocantins
19.05.2026
Alunos do Centro de Ensino Médio Benjamim José de Almeida, de Araguaína, foram conhecer a comunidade quilombola Dona Juscelina, em Muricilândia. A visita faz parte do projeto integrador de linguagens que está sendo desenvolvido pela instituição de ensino com o nome “Educação para a valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais brasileiras”.
A atividade foi coordenada pelos professores Janiel Ferraz e Lianja Soares. O trabalho foi feito em parceria com o jornal da escola, sob orientação do professor Gustavo Macêdo e Valdir Coimbra. O objetivo principal da visita foi levar os alunos ao contato direto com a cultura ancestral do povo afro-brasileiro, aliando assim os conteúdos teóricos às práticas vivenciadas no cotidiano da comunidade.
A visita aconteceu no dia 12 de maio, e a experiência faz parte das ações referentes ao dia 13 de maio, que simboliza a abolição da escravidão no Brasil, data marcante na luta negra no país.
Participam do projeto uma turma de 45 estudantes, e integraram a equipe de visitas a gestora Carolline de Castro Alves Feitosa e os professores Carmem Lucia Pires da Silva, que leciona Geografia; Janiel Ferraz que atua com Sociologia, Filosofia e Projeto Integrador; Lianja Soares, de Língua Portuguesa; Gustavo Mâcedo Mesquita, de História; e Valdir Santos Rodrigues Coimbra.
O professor Janiel destacou a importância dessa visita. “Foi uma ação que trouxe uma contribuição prática, já que estávamos estudando textos sobre o multiculturalismo nas matrizes históricas. Os alunos foram recebidos pelos jovens do local, que compartilharam saberes. A turma participou de uma roda de conversas com as raizeiras, sobre as plantas, raízes, chás e produziram entrevistas com alguns moradores, que serão transformadas num minidocumentário”, explicou.
A estudante Kalliny Feitosa de Melo, 17 anos, da 3ª série do ensino médio, destacou o evento que a comunidade realiza para lembrar a Abolição da Escravatura. “Foi uma atividade bem organizada. Participamos de uma roda de conversa com as mulheres raízes, conhecemos o quintal compartilhado com diversas plantas. Gostamos de observar os registros históricos da casa de dona Juscelina e a visita ao rio Murici. E aprendi que devemos valorizar mais o que a terra nos oferta, temos o poder de aprender a fazer algo para o nosso bem-estar e das pessoas ao nosso redor”, frisou.
A estudante Ellyara Júlia Silva Borges, 18 anos, da 3ª série do ensino médio, destacou a história de dona Juscelina. “Participar da palestra sobre plantas medicinais e visitar o local onde elas cultivam essas ervas nos ajudou a entender melhor como esse conhecimento funciona na prática e como ele também ajuda na renda da comunidade. Além disso, tivemos uma conversa com filhos de matriarcas, o que foi muito interessante e nos ajudou a entender melhor a realidade deles e desenvolver nosso senso crítico. Outra coisa que chamou atenção foi que as pessoas que estavam organizando a excursão usavam camisas em homenagem ao Negro Bispo, mostrando a importância dele para a história e para a comunidade quilombola. Também aprendemos que a comunidade recebe apoio do governo e tem parcerias com universidades, o que ajuda a manter e valorizar essa cultura”, contou.
Dona Juscelina
A líder quilombola Lucelina Gomes dos Santos, a dona Juscelina, que deu nome ao quilombo, foi benzedeira, devota e romeira de Padre Cícero e do Divino Espírito Santo. E também era lavradora, parteira, quebradeira de coco e griô, pessoa que detém a memória e compartilha suas tradições.
Edição: Ana Luiza da Silva Dias/Governo do Tocantins
Revisão Textual: Liliane Oliveira/Governo do Tocantins
Joselia de Lima/Governo do Tocantins