Tocantins
25.05.2026
Para fortalecer as práticas antirracistas no ambiente escolar, o Colégio Estadual Coronel José Francisco de Azevedo, em Conceição do Tocantins, criou na última semana o Comitê Escolar Antirracista.
A ação consiste na promoção do diálogo e de práticas efetivas de enfrentamento ao racismo no ambiente escolar, incluindo rodas de conversas, palestras, encontros formativos, núcleos de estudo e espaço de escuta para denúncias em caso de racismo.
A iniciativa foi idealizada pela professora, historiadora e coordenadora da área de Ciências Humanas, Ketley Ionar Teles Cursino, juntamente com a gestão escolar, equipe pedagógica, professores colaboradores e estudantes, que também integram o comitê escolar.
A unidade, que já possui o Selo Escola Antirracista, identificou a importância de ampliar os espaços de debate, conscientização, diversidade e combate ao racismo, considerando a realidade local marcada pela presença significativa de estudantes negros e quilombolas.
Através dessa necessidade foi criado o comitê, com o propósito de valorizar as raízes, ancestralidade e incentivar o protagonismo estudantil.
A professora Ketley Ionar Teles, destaca a alegria de poder concretizar esse projeto. “Minha trajetória foi marcada por situações de racismo que somente com o tempo consegui reconhecer como práticas racistas. Por isso, acredito que o trabalho desenvolvido diariamente em sala de aula precisa ultrapassar as quatro paredes da escola, promovendo reflexão, conscientização e transformação social ", afirma.
A estudante e presidente do comitê, Yasmin Heloíse Cardoso, reforça o papel do comitê como fortalecimento das práticas antirracistas. “O comitê é muito importante porque representa apoio e acolhimento aos estudantes que sofrem racismo e muitas vezes não conseguem se defender diante dessas situações. É necessário fortalecer o combate a essas práticas, criando medidas mais rígidas para que casos de racismo não voltem a acontecer, além de garantir suporte, escuta e apoio aos estudantes vítimas de preconceito dentro do ambiente escolar ", afirma.
Para o estudante Felipe Nascimento Lima, membro do comitê, a criação do comitê surgiu num momento oportuno. “Tenho um colega de sala que acompanho de perto e hoje consigo reconhecer que, depois das falas racistas que ouviu, ele nunca mais foi o mesmo. Precisamos realmente rever nossas práticas, atitudes e falas dentro da escola, principalmente em relação ao racismo recreativo, que muitas vezes aparece disfarçado de brincadeira, mas que machuca, silencia e deixa marcas profundas nas pessoas”, completou.
A estudante Roberta da Rocha, também membro do comitê, acrescenta que é necessário esse debate no ambiente escolar. “A criação do Comitê Escolar Antirracista possibilitará o fortalecimento do respeito ao próximo e o combate ao preconceito dentro do ambiente escolar, promovendo mais consciência, empatia e igualdade entre os estudantes”, pontua.
Edição: Ana Luíza Dias/Governo do Tocantins
Revisão Textual: Enedino Rodrigues Benevides Neto/Governo do Tocantins
Maria Eugênia Melo/Governo do Tocantins