Rio de Janeiro
04.05.2026
Quatro alunas do Ciep 131 Professora Armanda Álvaro Alberto, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, se apresentaram com a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante audiência pública com o Papa Leão XIV, no último dia 29 de abril. As jovens passaram uma semana na Itália, junto com o grupo de instrumentistas, formado exclusivamente por meninas estudantes da rede pública do Rio de Janeiro.
O concerto fez parte da turnê ‘Conexão Vaticano’, em comemoração ao Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. Composta por 25 integrantes, a orquestra cumpriu uma agenda oficial que incluiu apresentações na Praça de São Pedro, na Embaixada Brasileira e na Sapienza Università di Roma, além de visitas a museus e ao Coliseu.
As alunas da rede estadual Evelyn Silva dos Santos, de 16 anos, Maria Sophia Viturino Estêvão Benedito, de 14, Julia do Nascimento Belmiro, de 15, e Luiza do Nascimento Belmiro, de 16, já são instrumentistas da OSJ Chiquinha Gonzaga, mas foram escolhidas para participar da turnê após terem sido aprovadas em um processo seletivo com outras 50 meninas do grupo. Na prova prática, as alunas tiveram que tocar para uma banca julgadora formada pela regente e professores da orquestra.
– Fiquei muito feliz de ter feito parte da turnê. Foi a primeira vez que saí do país – contou Evelyn, aluna da 2⁰ série do Ensino Médio, que toca violino e quer faculdade de Música.
Evelyn ganhou o instrumento da avó em 2021 e logo começou a fazer aulas práticas. No ano seguinte, fez teste e entrou na Orquestra Chiquinha Gonzaga. Com o grupo, ela já se apresentou em diversos palcos no Rio, como o Theatro Municipal, a Sala Cecília Meireles e a Cidade das Artes, além do Teatro Unimed, em Belo Horizonte.
– Meu sonho é fazer parte da Orquestra Sinfônica Brasileira – revelou a jovem violinista.
Maria Sophia, aluna do 9⁰ ano do Ensino Fundamental, começou a tocar flauta com 7 anos, na igreja. Em 2020, adotou a clarineta em si bemol como seu instrumento, passando a fazer parte do Projeto Universo da Música, em Duque de Caxias, até entrar no Instituto Brasileiro de Música e Educação (IBME). Com incentivo da família, ela foi aprovada em 2024 para a OSJ Chiquinha Gonzaga, com a qual já se apresentou nos mesmos lugares que Evelyn.
– Para mim, foi uma experiência única tocar para o Papa – afirmou a clarinetista.
As irmãs Julia e Luiza pertencem a uma família musical. Pai, mãe, irmão, avô, tias e primos tocam algum instrumento. Assim, o interesse das duas pela música surgiu naturalmente. Em 2020, Luiza começou a tocar flauta na igreja e, em seguida, e entrou no mesmo projeto musical que Sophia ingressou. Três anos depois, foi aprovada no IBME e passou a integrar a Banda de Campos Elíseos e a Banda Sinfônica Juvenil Fluminense, participando de vários concertos. Em 2025, passou no teste para a Orquestra Chiquinha Gonzaga.
– A gente sonha com isso, mas quando acontece parece que não é real. Estou muito feliz – disse Luiza, aluna da 2ª série do Ensino Médio, que também sonha em cursar uma faculdade de Música.
Julia seguiu os passos da irmã mais velha. Aos 9 anos, começou a ter aulas de saxofone e entrou no Projeto Universo da Música. Porém, em 2024, a menina resolveu que era hora de mudar e aprendeu a tocar trompa em fá, ingressando na Banda Sinfônica. Meses depois, passou no teste para a Orquestra Chiquinha Gonzaga. Em novembro do ano passado, ela tocou com o grupo no Carnegie Hall, uma das salas de concerto mais famosas do mundo, localizada em Nova York, nos Estados Unidos.
– Foi uma experiência muito gratificante me apresentar em outro país e levar a nossa música, a cultura brasileira – afirmou Julia, trompista e aluna da 1ª série do Ensino Médio.
Antes da turnê internacional, as meninas do Ciep 131 participaram de uma bela apresentação na Igreja da Candelária, no Centro do Rio, em 25 de março.
Para o diretor-geral da unidade, Marcos Castro, a façanha das meninas é motivo de orgulho e exemplo para os outros estudantes. O Ciep 131 funciona em três turnos e atende mais de 700 alunos.
– É algo fantástico, porque a escola está num bairro, Jardim Leal, que não é perigoso, mas recebe muitos alunos de comunidade. E a gente sabe que há muitas dificuldades no dia a dia. Então, quando encontramos quatro alunas que se dedicam e estudam algo que só vai acrescentar à vida delas, isso é motivo de orgulho, sim. Mostra que a educação vale a pena – destacou o diretor-geral.
Foto: Divulgação Seeduc-RJ