PROFE Líderes: em segundo dia de formação, Seduc destaca ações estratégicas para implementar a educação antirracista nas escolas

Tocantins

21.01.2026

O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), tem buscado cada vez mais a implementação de uma educação antirracista, por intermédio de programas e projetos que visam à equidade e à justiça racial nas escolas tocantinenses. Entre os dias 20 e 21 de janeiro, a Seduc promoveu, no município de Palmas, a primeira Formação Continuada PROFE Líderes Docentes de 2026, que contou com palestras e atividades formativas para cerca de 1.600 professores, coordenadores de área e técnicos pedagógicos das 13 Superintendências Regionais de Educação (SREs).

Durante a formação, foi apresentado aos participantes a coleção “Minha África Brasileira e Povos Indígenas”, material didático que atende estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio, que contém também fascículos dos povos indígenas do Tocantins, bem como da história das comunidades quilombolas, para o ano de 2027. Esse material integra o Projeto Poder Afro, programa de valorização de combate ao racismo na educação.

A coordenadora do Núcleo de Educação Escolar Quilombola e Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEEQ-ERER) da Seduc, Karoline Rebouças, explica que é através dessa formação que chegam os valores e as diretrizes que a Seduc pretende implementar no ano de 2026 nas escolas. “Neste momento a gente está valorizando cultura, território, educação antirracista em promoção da equidade. Então essa formação visa contemplar um grande investimento feito pela Seduc em material didático que cumpre a Lei nº 11.645 de 2008, de ensino da história africana, história e cultura afro-brasileira e história indígena. Este material é riquíssimo e coloca o Tocantins como um dos estados pioneiros do trabalho de educação antirracista, fazendo com que a gente tenha uma sociedade mais justa e equitativa”, afirmou.

Além do material didático, o Poder Afro promove formações continuadas para professores sobre letramento racial; campanha de autodeclaração racial para os estudantes na hora da matrícula escolar; bem como a organização e oferta da educação indígena bilíngue, multilíngue, específica, diferenciada e intercultural em territórios etnoeducacionais.

 

Selo Antirracista

E como forma de reconhecer os trabalhos realizados nas escolas, ainda dentro do Poder Afro foi criado o Prêmio Selo Antirracista, que evidencia práticas de combate ao racismo promovidas durante o ano letivo. No ano de 2025, foram premiadas 5 escolas do território tocantinense: Cemil Prof. Florêncio Aires, de Porto Nacional; CEM Santa Rita de Cássia, de Palmas; Escola Estadual Abílio Wolney, de Dianópolis; Escola Estadual Setor Sul, de Palmas; e Escola Estadual Fazenda Dezesseis, de Augustinópolis.

A professora Elanne Aguiar, da Escola Estadual Setor Sul, recebeu o Selo pelo trabalho realizado com o projeto ‘Afronto’, que é um dos projetos da escola voltado para a educação antirracista. “O Afronto é um projeto que trabalha com o combate ao racismo, tanto indígena quanto racial. A nossa escola tem uma população de estudantes majoritariamente negros e que têm uma dificuldade muito grande em se aceitar, e por ser uma região que sofre com vulnerabilidade, a educação, a cultura, o esporte e o lazer são essenciais, e a gente tenta proporcionar isso durante o ano inteiro com atividades voltadas para a identidade tocantinense, cultural e ancestralidade”, explicou.

Para o professor Alírio Sérgio Mareco, da Escola Estadual Fazenda Dezesseis, receber o Selo Antirracista, com o projeto ‘Escola de Todas as Cores’, é um orgulho para toda a comunidade. “Nesse projeto, nós realizamos várias ações envolvendo todas as áreas do conhecimento na escola, de humanas, linguagem, matemática e ciências da natureza. A nossa escola é uma escola do campo, e esse trabalho antirracista já vem sendo trabalhado há alguns anos, pois é importante, é preciso ressaltar a cultura, mas também trazer o debate, focar na luta antirracista dentro das nossas escolas e dentro da nossa comunidade”, destacou.

Nesta quarta-feira, 21, também é celebrado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que promove a liberdade e o enfrentamento direto às violências que atingem, historicamente, as religiões de matriz africana. 

“Hoje não é um dia de comemoração, é um dia de luta. Esse trabalho, que nós estamos fazendo, de uma educação antirracista, de valorização de saberes, de enaltecimento da resistência da luta, em que até menos de 30 anos atrás, as religiões de matrizes africanas ainda eram criminalizadas no Brasil, é muito importante. Precisamos respeitar os povos de terreiro, precisamos respeitar as matrizes religiosas africanas. Intolerância religiosa não cabe em lugar nenhum, muito menos na escola. É por isso que uma formação antirracista se faz tão necessária para que a gente cada vez mais lute contra a violência religiosa, a violência cultural e todos os outros tipos de violência que existem contra a cultura afro-brasileira e indígena”, acrescentou Karoline.

Revisão Textual: Liliane Oliveira/Governo do Tocantins

Gabriela Rossi/Governo do Tocantins