Escola Estadual Jonas Pereira leva estudantes para uma imersão histórica em Natividade

Tocantins

25.11.2025

Com o objetivo de conhecer o legado histórico da cidade de Natividade, um dos núcleos urbanos mais antigos do Tocantins, um grupo de estudantes da Escola Estadual Jonas Pereira Lima, de Brejinho de Nazaré, visitou o conjunto arquitetônico da cidade. O grupo também conheceu o Quilombo de Chapada da Natividade. A visita foi realizada no último dia 24, com uma turma de alunos do 8º ano do ensino fundamental.

O principal objetivo da visita educativa foi proporcionar aos estudantes uma imersão na cultura e nos aspectos históricos de Natividade, que é uma das cidades mais antigas do Tocantins e que ainda preserva fortes traços do período colonial.

No centro histórico de Natividade, os estudantes observaram a arquitetura das casas, com suas características coloniais, viram as ruínas da Igreja do Rosário dos Pretos, obra construída por escravos e que é um dos cartões postais da cidade, e visitaram a Igreja São Benedito. Nessas visitas, os discentes refletiram o cotidiano das pessoas e a divisão social no século XVIII.

Essa ação foi desenvolvida no curso de extensão de Formação para Docência e Gestão em Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola, que visa fomentar o letramento racial de profissionais que atuam na educação básica, além de promover o desenvolvimento de conhecimentos, saberes e práticas pedagógicas, que valorizem as tradições, culturas e línguas ancestrais ligadas à presença negra e quilombola.

A visita contou com a orientação dos professores quilombolas Paulo Eduardo Pinto, Ana Beatriz Rodrigues Marinho e Janielly Ferreira Mendes e da professora de História, Milenna Fernandes da Silva, e do diretor da escola, Diôgo Januário da Costa Neto, responsável pela organização. A instituição de ensino contou com o apoio do transporte escolar da Superintendência Regional de Educação de Porto Nacional.

A imersão cultural também passou pelo sabor da história na fábrica de biscoitos Amor-perfeito Tia Naninha, uma iguaria de origem portuguesa e uma tradição utilizada há mais de 150 anos nas festas do Divino Espírito Santo. 

Os estudantes também visitaram o museu na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), na biblioteca, na ourivesaria Mestre Juvenal, responsável por transmitir técnicas tradicionais de confecção de joias. 

A professora Janielly ressaltou o valor pedagógico da experiência. “A aula de campo proporcionou aos estudantes uma imersão na história e na cultura do Tocantins. Foi uma viagem que transformou o conhecimento teórico em prática. O contato direto com a arquitetura barroca, as tradições locais e especialmente a vivência no quilombo permitiu aos estudantes compreenderem a riqueza cultural, histórica e quilombola de forma autêntica. Reafirmo o meu compromisso em utilizar a história e o território como ferramentas pedagógicas para o desenvolvimento do pensamento crítico”, explicou.

O diretor Diôgo Neto, que residiu em Chapada da Natividade e atuou como professor, destacou a importância do local. “Seria importante que as escolas de todo o Tocantins incluíssem o quilombo Chapada da Natividade em seus roteiros de visita, pois ele apresenta a essência do quilombo em área urbana, mantendo um patrimônio imaterial muito forte, além do patrimônio material que pode ser visitado. Se faz necessário ter contato com a população quilombola, conversar com os moradores e tomar um café com eles”, afirmou.

A estudante Yasmim Medeiros Amorim destacou as aprendizagens adquiridas. “Eu observei a parte da arquitetura, especificamente o contraste entre as casas do centro histórico de Natividade com suas portas e janelas grandes e largas, cores fortes e a ausência de muros e nas casas de Chapada da Natividade, que apresentam uma arquitetura mais comum ao que se vê nas áreas urbanas atuais”, contou.

A essência quilombola urbana

Os estudantes visitaram o município de Chapada da Natividade, reconhecido como o primeiro quilombo urbano do Tocantins, certificado pela Fundação Cultural Palmares, em 2005. Lá, o grupo visitou a Ruína da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, obra inacabada construída por escravos fugidos no século XVIII e preservada até hoje. Também foi realizada visitas à Igreja Nossa Senhora de Santana, que teve grande parte de sua estrutura desmoronada e hoje resiste nas proximidades da mineradora.

Os estudantes conheceram o Forninho, uma nascente de água que era utilizada para consumo pela população quilombola e a área da mineradora, cujas crateras gigantescas marcam a exploração de ouro que se mantém ativa na região. Uma curiosidade é que, com a chegada do garimpo há muitos anos, o Forninho havia sido soterrado, mas a comunidade conseguiu recuperar o local e ele está visível atualmente.

O ponto alto da vivência foi na Casa do Mestre Patricinho, um vibrante ponto de cultura e culinária, conhecido pela produção de bolos, pipoca/peta, e por realizar ensaios do Grupo de Suça Mestre Patricinho. 

Edição: Ana Luiza da Silva Dias/Governo do Tocantins

Revisão Textual: Liliane Oliveira/Governo do Tocantins

Joselia de Lima/Governo do Tocantins