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Tocantins 12:17, 4 out 2019 Educadores da rede estadual de ensino apostam em multilinguagens para ensinar literatura

Toda a comunidade escolar reunida para assistir às apresentações dos estudantes sobre o quinhentismo A professora Socorro de Maria Cardoso trabalhou com os alunos do 6º ano do Colégio Estadual Adolfo Bezerra de Menezes o livro ‘A Bolsa Amarela’ Momento de apresentação dos curtas-metragens produzidos pelos estudantes do Centro do Ensino Médio Rui Brasil Cavalcante Com teatro, os estudantes da Escola Estadual Denise Gomid Amui aprendem sobre quinhentismo Exposição Literária com biografias e obras de autores tocantinenses, no Centro do Ensino Médio Rui Brasil Cavalcante
Foto: Divulgação Seduc/Governo do Tocantins

Entre as estratégias adotados pelos educadores da rede estadual de ensino estão o teatro, a produção de curta metragem e a leitura coletiva

Cláudio Paixão/Governo 

Mais do que escrever histórias, a literatura tem ganhado uma função diferente nas unidades de ensino da rede estadual do Tocantins: transformar vidas e despertar o interesse pelos livros. Os estudantes são estimulados a produzirem peças de teatro para serem encenadas nas escolas, curtas-metragens e leituras compartilhadas. Multilinguagens que estão transformando o processo de ensino e aprendizagem.

Leitura Coletiva

Um dos livros mais conhecidos de Lygia Bojunga “A Bolsa Amarela”, que narra a história de uma menina aprendendo a crescer, foi o livro escolhido pela professora Socorro de Maria Cardoso para trabalhar com os alunos do 6º ano do Colégio Estadual Adolfo Bezerra de Menezes, de Araguaína, nas aulas de língua portuguesa. Em todo início de aula, os alunos realizavam a leitura de trechos do livro. Ao concluir a leitura, os estudantes fizeram um relato escrito da experiência, que foi lido para a turma.

De acordo com a professora, o objetivo da atividade foi ampliar o conhecimento, a imaginação e desenvolver as competências com relação ao uso das linguagens oral e escrita. “Geralmente, quando pedíamos para levar o livro para casa, nem todos faziam a leitura. Ao realizar a leitura coletiva, na sala de aula, todos se envolveram e a maioria dos alunos já estão buscando outros livros na biblioteca e pedindo a indicação de novos títulos”, apontou.

A estudante Giovani Miranda destacou o que mais chamou sua atenção. “O que eu achei interessante no livro ‘A Bolsa Amarela’ é que a Raquel tinha três vontades e ela inventou vários amigos imaginários. São coisas que têm muito a ver com a nossa realidade. Essa história despertou em mim o interesse de ler mais, de interagir com os colegas na sala de aula”, destacou. 

Teatro

O tema era o quinhentismo, período literário (1500-1601) que abrange todas as manifestações literárias produzidas no Brasil na época de seu descobrimento pelos portugueses, durante o século XVI. O teatro foi a forma encontrada pela professora Regiane Camilo Lima, da Escola Estadual Denise Gomid Amui, de Araguatins, para despertar nos estudantes da 1ª série do ensino médio o interesse pela temática.

“O assunto foi trabalhado em sala de aula, teve seminário, em que foram abordadas as obras dessa época e surgiu a ideia de retratar, por meio do teatro, esse momento: a chegada dos portugueses, o domínio sobre o Brasil, que na época foi chamado de Ilha de Vera Cruz. O projeto nasceu da necessidade de fomentar o gosto pela leitura, pela literatura e até mesmo o interesse por nossas raízes e o teatro foi a forma encontrada para fixar mais os conhecimentos compartilhados”, explicou.

Para a estudante Letícia Alves Ferreira, além do aprendizado sobre a temática, a experiência promoveu a integração entre as turmas do 1º ano e interação com toda a escola. “Após trabalharmos o tema na sala de aula, resolvemos fazer uma peça de teatro, que foi apresentada para toda a escola. Trabalhos como esses são muito importantes, pois nos ajudam a entender o assunto com mais facilidade”, comemorou.

Curtas-metragens

Valorizando o regionalismo e trabalhando a literatura, a professora Rhoselly Xavier, do Centro do Ensino Médio Rui Brasil Cavalcante, de Miranorte, trabalhou com os estudantes da 2ª série, na disciplina de língua portuguesa, a produção de curtas-metragens baseadas em contos da Literatura Tocantinense. A iniciativa faz parte do projeto ‘Cinema na Escola: o cinema e as faces da literatura’, projeto que já foi premiado pelo programa Itaú Unicef.

Além da produção dos curtas-metragens, foi feita durante a aula, em cada turma do 2º ano, a apresentação da biografia de alguns dos autores mais representativos da Literatura Tocantinense e da Literatura Indígena, com exposição de diferentes exemplares das obras literárias desses autores.  

A professora Rhoselly Xavier, que também é escritora, destacou a importância do contato com a literatura regional. “É importante promover o contato com a produção literária regional em todos os espaços sociais, a fim de valorizar e fortalecer a identidade cultural do povo tocantinense. O trabalho desenvolvido visa estimular o prazer pela leitura e a produção escrita, estimulando o potencial dos estudantes no processo artístico e cultural", explicou.  

A estudante Ana Caroline Alves da Silva, moradora da zona rural, destacou que ela e os colegas se sentiram desafiados especialmente por se depararem com algumas dificuldades na produção. Ela também destacou que "a experiência foi bastante proveitosa e divertida, pois permitiu a oportunidade de conhecer o trabalho dos escritores da nossa terra e de escolher um conto para transformar em um curta-metragem".

Alguns dos curtas-metragens foram produzidos como uma proposta de releitura dos contos "Nóis mudemo" e "A pinguela", ambos de Fidêncio Bogo; "Laços inversos", de Isabel Dias Neves; "Um corpo", de Pedro Ferreira Nunes; "O mundo não vale minha mãe", do romance de Dourival Santiago; e "O cunhado: (Dakãrêwa) na busca da caça", de Jaíne K. P. B. Xerente (conto indígena), dentre outros.


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