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Ensino Médio 12:36, 10 nov 2016 Seminário reafirma importância da pluralidade na reestruturação do currículo

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Evento organizado pelo Instituto Unibanco e Consed reuniu cerca de 500 pessoas por dia e abriu espaço para diálogo com especialistas do exterior, gestores públicos, professores e estudantes em torno d

O Instituto Unibanco, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), encerrou nesta quinta-feira (10/11), em São Paulo, o Seminário Internacional Desafios Curriculares do Ensino Médio, que reuniu profissionais de diversas áreas ligadas à educação com o intuito de discutir a estrutura e o currículo desta etapa escolar. O evento reuniu gestores públicos, como secretários estaduais de educação e diretores escolares, e pesquisadores, professores e estudantes em torno do debate e reflexão sobre o modelo de Ensino Médio brasileiro.

O evento reuniu cerca de 500 pessoas por dia, em média. Os participantes elogiaram a iniciativa o Instituto Unibanco e do Consed e a diversidade de opiniões na programação. “Em um país em que está tão difícil conversar, discutir, ainda mais sobre um assunto tão polêmico, é algo para se comemorar estar aqui durante dois dias com toda a liberdade para uma manifestação de ideias ampla, geral e irrestrita. Este é o papel que o Instituto Unibanco assume e a gente cumprimenta: criar um espaço para que a gente possa conversar”, disse o professor da PUC-SP e ex-presidente do Conselho Nacional de Educação Antonio Carlos Ronca.

O segundo dia do evento foi aberto com um painel sobre “Educação profissional e Ensino Médio em debate”, do qual participou o pesquisador Simon Schwartzman, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), que defendeu a integração da educação profissionalizante com a acadêmica.

“O curso técnico pode, sim, formar um ótimo profissional, mas ele deve ter matérias básicas de uso diário, como língua portuguesa. Esses cursos de curta duração tendem a ficar obsoletos com a reciclagem de informação atual. O desafio é ser atrativo sem ficar defasado”, disse Schwartzman, que lançou durante o seminário itnernacional o livro “Educação média profissional no Brasil: situação e caminhos”.

Fernanda Demai, diretora do Departamento de Planejamento de Formulação e Análises Curriculares no Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, destacou na sua palestra que um grupo de trabalho contratado para analisar o texto da Medida Provisória 746/2016, que trata sobre o Ensino Médio, constatou lacunas em relação ao ensino técnico. Ela também chamou a atenção para a dificuldade que deve ser enfrentada na formação docente para execução de um planejamento curricular por áreas.

Karina de Souza, diretora de Educação Básica do Instituto Federal São Paulo, criticou a proposição de colocar o ensino técnico como um dos itinerários formativos possíveis do Ensino Médio, o que chamou de um “deslocamento entre formação geral e profissional”.

No final da manhã, o seminário reuniu quatro jovens estudantes no painel “Do Ensino Médio que temos ao Ensino Médio que queremos”. A estudante paranaense Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, falou sobre a importância de os jovens serem ouvidos em todas as instâncias da educação. “Há uma grande valorização da nota e não do que o jovem aprende. A gente precisa de uma mudança urgente no Ensino Médio. Há carência de atenção ao aluno e de escuta ao estudante”, disse Ana Júlia. “Estamos lutando por uma educação de qualidade, porque a gente acredita no futuro do país e é por isso que precisamos de vocês. A voz do estudante tem que ser ouvida. Vocês juntos com a gente conseguiremos mudar o país”, afirmou a estudante do Paraná.

Jordan Campos da Costa, estudante de Biomedicina, também ressaltou a importância de mudanças no Ensino Médio. “O currículo mínimo tem matérias rasas. No segundo ano, tem um aumento de conteúdo, mas o tempo é diminuído porque tem mais matérias. No terceiro ano, o aluno se vê jogado a esmo. Muitos não conseguem ter esperança de passar no Enem com o que foi dado na escola”, disse.

Complementando o discurso dos estudantes, Lidiane de Paula Ferreira, aluno do 1º ano de Gestão Pública no Rio de Janeiro, falou da formação integral do jovem na escola. “Temos que nos formar para sermos cidadãos, não somente para entrar no mercado de trabalho. A principal chave para mudar o Ensino Médio é dialogar com quem está na escola: professores e alunos. Os professores recebem salários baixos, não são incentivados e encaram resistência ao tentar propor novos projetos”, afirmou.

Concluindo o painel, a secretária de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Djamila Ribeiro, destacou, antecipando o tema da próxima mesa de debate, a questão da diversidade. “É impossível pensarmos em qualquer reforma estrutural nesse país sem pensar em racismo, porque ser negro significa ser vulnerável porque você vai ser pobre. Achar que esse debate não tem que ser feito porque existem desigualdades significa que a gente vai pensar em uma reforma que vai continuar compactuando com esse cenário”, disse.

Rodrigo Hübner Mendes, presidente do Instituto Rodrigo Mendes, iniciou os debates da mesa “Currículo, desigualdades e diversidades no Ensino Médio” ressaltando a importância da inclusão de jovens com deficiência no ambiente escolar. “A escola inclusiva iguala oportunidades e garante direitos. Ela diversifica estratégias porque entende que cada estudante aprende de uma forma particular”, afirma.

No painel, Denise Carreira, da Ação Educativa, defendeu a legitimidade da luta pela diversidade no ambiente escolar. “Não à intolerância religiosa. Sim à laicidade. Isso é fundamental para o crescimento educacional”, afirmou.

Cida Bento, do CEERT, falou sobre a evasão escolar do jovem negro. “A evasão é na verdade uma expulsão que ocorre porque a escola não dialoga com a sua cultura. Existe sempre um número muito maior de pobres brancos nas universidades do que pobres negros. Isso não é noticiado, mas é real. O jovem negro causa um desconforto circulando por esses espaços em que ele não era esperado”, concluiu.

O superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, encerrou o evento destacando a importância do diálogo e do debate em torno da estrutura do Ensino Médio. “Agradecemos por ter conseguido dar conta de mais um caminho para aprofundar o debate sobre Ensino Médio, pela grande presença de secretários, gestores, professores e estudantes. Diálogo é empatia. É a essência de um campo de transformação, que segue propositivo e exercita o contraditório”, completou.


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