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Pará 17:58, 17 set 2015 Projeto resgata cultura de raiz em escolas quilombolas do Pará

As formações para professores e alunos de comunidades quilombolas ocorrem em 14 municípios do Pará Os encontros estimulam reflexões e debates sobre novas práticas pedagógicas
Foto: Foto: Rai Pontes (Ascom-Seduc/Pa)

Uma parceria entre a Secretaria de Educação do Pará (Sedu/Pa), por meio da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Copir), e secretarias municipais de Educação vem assegurando uma série de formações destinadas a alunos e professores de comunidades quilombolas em vários municípios do interior do Estado. O Projeto "Educação, Etnicidade e Desenvolvimento: fortalecimento de alunos e alunas quilombolas na Educação Básica" tem como principal finalidade elaborar o conteúdo do currículo estadual da Educação Escolar Quilombola.

As formações ocorrem até o dia 14 de novembro em quatorze municípios do Pará. De 15 a 19 deste mês a formação está sendo levada ao município de Traquateua, a 215 km de Belém, onde ficam as comunidades quilombolas de Jurussaca, Cebola, Cigano, Pontinha, Torre, Campo Novo e Sessenta. Participam das aulas alunos e professores da Educação Infantil.

As ações incluem orientação técnica de professores da rede estadual e municipal de ensino, para a formação de facilitadores que atuem na valorização da cultura e história africana e afro-brasileira, assim como oficinas práticas para alunos quilombolas, que possibilitem a elevação da aprendizagem e ampliem o acesso a outros níveis e modalidades de ensino, evitando a evasão e a repetência.

De acordo com a professora Sueli Ribeiro de Araújo, da comunidade quilombola de Jurussaca, essa formação veio contribuir com o trabalho dos professores e ajudar no desenvolvimento da Educação Escolar Quilombola. “Essa é uma formação que veio em boa hora e está sendo muito proveitosa para nós, professores, que, com isso, ganhamos mais experiência e conhecimento para desenvolver um bom trabalho com os nossos alunos.”

Com os encontros de formação, a Seduc/Pa estimula os profissionais da educação a novas reflexões e debates acerca das diferentes práticas pedagógicas, especialmente no que tange às relações étnico-raciais e à implementação da Lei nº 10.639/2003, que trata da obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana, bem como da resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) nº 8, de 20 de novembro de 2012, que trata da Educação Escolar Quilombola.

O presidente da Associação Remanescente do Quilombo do Cigano, Hermínio Ribeiro, disse que a Educação Educação Escolar Quilombola só tem a ganhar com a iniciativa. "Além de preparar os profissionais da educação e os nossos alunos, a formação também contribui para a valorização da cultura dos quilombos e para o fortalecimento das leis que asseguram o acesso à educação e à história dos povos africanos”, destacou.

Em Tracuateua, a formação foi direcionada pelos especialistas em Educação da Seduc/Pa, Tony Vilhena e Hilda Ribeiro. "O nosso objetivo é implementar a resolução do CNE, que estabelece as diretrizes da Educação Escolar Quilombola, com o objetivo de aumentar a autoestima do estudante e fortalecer a identidade das comunidades, garantindo que tenham uma educação de qualidade em todos os níveis”, reforça Tony Vilhena.


Texto: Eliane Cardoso
Ascom-Seduc/Pa


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