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Prêmio Gestão Escolar 09:29, 1 dez 2015 Participação permanente da comunidade é um dos trunfos da Escola Anselmo Luigi Piccoli, uma das finalistas do PGE

Com 305 alunos, a maior parte filhos de trabalhadores que moram no bairro Cohab 2, a escola monitora a aprendizagem e faz o acompanhamento familiar sempre que percebem uma atitude diferente. A maioria das crianças que hoje estão nas séries iniciais são filhos, sobrinhos ou irmãos de ex-alunos. Reflexo dos fortes vínculos que a escola mantém com a comunidade. Após superar escolas de Santa Catarina e Paraná na fase regional, a escola agora disputa o título de melhor case nacional de gestão. Prédio com 40 salas de aula e quase 4 mil metros quadrados foi inaugurado em 1994 como um dos mais de 90 Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) do RS. “Escola é o ponto de referência. Quando tem um evento no bairro, ele acontece aqui”, conta a diretora Tânia Regina Ducatti Sasso.
Foto: Roberto Witter, Seduc-RS

Com 305 alunos, a maior parte filhos de trabalhadores que moram no bairro Cohab 2, a instituição tem estrutura ampla, com ginásio, laboratórios de informática e salas de apoio pedagógico

A sensação de quem caminha pelos corredores da Escola Estadual Anselmo Luigi Piccoli, de Bento Gonçalves, é de que o espaço acaba de ser inaugurado. Mérito da comunidade escolar, que conserva impecavelmente o prédio com 40 salas de aula e quase 4 mil metros quadrados, inaugurado em 1994 como um dos mais de 90 Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) erguidos pelo Governo do Estado no início dos anos 90. O carinho e a participação da comunidade na trajetória da instituição estão entre os motivos que colocaram o estabelecimento de ensino como um dos cinco finalistas do Prêmio Gestão Escolar 2015.

Depois de superar escolas de Santa Catarina e Paraná na fase regional, o CIEP Piccoli agora disputa o título de melhor case nacional de gestão com quatro escolas, das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. A escola vencedora será conhecida nesta quinta-feira (03), durante cerimônia em Brasília.

Com 305 alunos, a maior parte filhos de trabalhadores que moram no bairro Cohab 2, a instituição oferta todo o ensino fundamental. A estrutura é ampla, tem ginásio, laboratórios de informática e salas para atividades de apoio pedagógico. A direção, no entanto, deixa claro que o ambiente não é exclusivo para o processo de ensino e aprendizagem. Vai além. É um espaço de cidadania, com portas sempre abertas para a participação dos diversos segmentos da sociedade.

“A Escola é o ponto de referência. Quando tem um evento no bairro, ele acontece aqui. Organizamos o espaço para que ele seja atrativo não apenas para os alunos, mas para a comunidade escolar”, conta a diretora Tânia Regina Ducatti Sasso.

As paredes são repletas de mensagens de incentivo e reflexão. No saguão de entrada e próximo à secretaria, murais trazem tudo aquilo que precisa ser dito aos pais e estudantes. Da diretora aos alunos, uma coisa não muda: o orgulho ao falar do espaço.  

 “Acontece a passagem de geração para geração. A filha está hoje, mas a mãe já estudou na escola, a vó participou do CPM, daqui a pouco o maninho vai estar aqui também”, conta a diretora.

“Cheguei no 1º ano e só vou sair porque não temos o Ensino Médio, mas a vontade era ficar”, completa Marcos Falcade, 16 anos e prestes a chegar no 9º ano, o seu último como aluno do CIEP.

Marcos e os colegas Natália Alves, Fernanda Ribeiro, Juliane Borges, Lais Valdemarca, Bruna Bertoletti, Jean Guarezi, e as gêmeas Sabrina e Saiane Carvalho, todos do 8º ou 9º ano, fazem parte de um grupo ligado ao Rottari Club Planalto, que desenvolve no turno inverso às aulas ações sociais junto a outros parceiros, como o Sest Senat e o Centro de Indústria e Comércio da cidade.

A escola também monitora a aprendizagem e faz o acompanhamento familiar sempre que percebem algo de diferente nas atitudes de determinado aluno. Como a equipe de professores pouco se modifica, eles conhecem cada estudante pelo nome e sabem onde eles moram.

Eles também fazem a mediação de conflitos no espaço escolar, através da aplicação dos princípios da Justiça Restaurativa e da Cipave (sigla de Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar, cuja implantação é acompanhada em mais de 1,3 mil escolas gaúchas pela Secretaria da Educação).

“Não podemos ver um adolescente querendo se perder. A gente vai atrás, fala com os pais, liga no trabalho, vai em casa se é preciso. Aquele ser humano que está ali na nossa frente é tão precioso, e se a gente não fizer isso, corre o risco de perder essa galera. O mundo lá fora é muito sombrio pra eles”, finaliza Tânia, que faz questão de exaltar o trabalho conjunto dos 26 professores e seis funcionários.

O reconhecimento aos servidores está em uma faixa fixada ao lado da entrada da sala dos professores, com a frase “Recursos Humanos: a base de tudo”. Os servidores são peça essencial na engrenagem que pode ganhar o reconhecimento do país na próxima quinta.

Caso traga o título para o Rio Grande do Sul, o CIEP recebe prêmio de R$ 30 mil. No entanto, já garantiu R$ 10 mil por ter vencido o Destaque Regional – os prêmios não são cumulativos. O dinheiro será investido em melhorias e novos equipamentos para a escola, que tem uma nova meta para 2016: reimplantar o tempo integral, conforme a proposta inicial da instituição.  

O Prêmio Gestão Escolar

Este ano, 7.810 estabelecimentos de ensino concorreram ao Prêmio, que busca focar o olhar da comunidade para os diferentes processos envolvidos na gestão escolar. Ao lado do Prêmio Educadores do Brasil, o Gestão Escolar integra a Iniciativa Educadores do Brasil, que reúne, além do MEC e do Consed, a União Nacional de Secretários Municipais de Educação (Undime), a representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

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