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Paraíba 10:13, 6 dez 2018 Governo expande Escolas Cidadãs Integrais e transforma a educação pública na Paraíba

Foto: Diego Nóbrega

Acordar cedo de segunda a sexta-feira, chegar às 7h na escola e cumprir uma carga horária de nove horas.  Essa é a rotina da estudante Gabryelly Alves, de 16 anos, aluna do 2º ano da Escola Cidadã Integral Técnica Erenice Cavalcante Fideles, em Bayeux, que estudava em escola particular e decidiu se matricular na escola pública. Ao chegar, a aluna se prepara para o acolhimento, realizado todos os dias às 7h15 pela equipe gestora, alunos e professores antes do início das aulas. A recepção acontece em frente ao auditório da unidade, através de músicas, placas motivacionais e confraternização entre todos.

Após o acolhimento, Gabryelle segue para a sala de aula. As disciplinas diversificadas são alternadas com as disciplinas da base comum, isso ajuda na dinâmica do ensino e aprendizagem. Gabryelle gosta mais de Estudo Orientado e Eletiva, mas o dia preferido da estudante é a sexta-feira com início das aulas de Química e Matemática. Os horários de pausa são 9h10 para lanche, 12h para o almoço e 15h para mais um lanche, e duram vinte minutos.  Nesses momentos, ela aproveita para se aproximar dos amigos, conversar, jogar dominó e participar do clube de muay thai (arte marcial tailandesa). O horário das aulas termina às 17h.

Apesar do tempo de aula ampliado, a rotina em uma escola integral é produtiva e traz satisfação para a estudante. “O método de escola cidadã é maravilhoso, pois temos várias oportunidades na escola que enriquecem não só nossa vida enquanto estudantes, mas também nossa vida pessoal. Nós temos que aproveitar essas oportunidades, fazer novos amigos e aprender a ser cidadãos de verdade. É disso que mundo está precisando e é o que aprendemos numa Escola Cidadã” ressaltou Gabryelle.

Em 2016, o Governo do Estado implantou o Programa das Escolas Cidadãs Integrais (ECIs) e Escolas Cidadãs Integrais Técnicas (ECITs), com um Modelo Pedagógico e de Gestão Escolar centrado no Protagonismo Juvenil e no Projeto de Vida dos estudantes. A Paraíba já inseriu o novo método em 100 escolas estaduais, 66 ECIs e 34 ECITs. São 35 mil vagas ofertadas e com a expansão, em janeiro de 2019, serão mais de 150 escolas, ofertando 45 mil vagas para estudantes da rede estadual de ensino.

O método é um novo conceito de escola em que os Modelos Pedagógico e de Gestão Escolar estão intimamente associados e constituem o organismo que possibilita transformar a visão e a missão da escola em efetiva ação cotidiana. No padrão das ECIs e ECITs a jornada é de nove horas, incluindo três refeições diárias. A metodologia foi implantada para os alunos do ensino médio, e, em algumas escolas envolve também o segundo seguimento do ensino fundamental.

Currículo e Laboratórios

A articulação dos conteúdos da Base Nacional Comum com o currículo da Parte Diversificada visa formar cidadãos autônomos, solidários, competentes e socialmente ativos, com capacidade para o exercício da cidadania e habilidades para o mundo do trabalho. Nesse modelo de escola, práticas pedagógicas incentivam o desenvolvimento de competências pessoais e sociais, bem como a ampliação de conhecimentos e valores necessários ao processo de formação humanista.

Além das disciplinas da Base Nacional Comum (BNC), assim entendida: Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Arte e Educação Física (área de Linguagens e Códigos); História, Geografia, Sociologia e Filosofia (Ciências Humanas); Física, Química e Biologia (Ciências da Natureza) e Matemática, a matriz curricular conta com disciplinas diversificadas.

Os alunos têm aulas de Estudo Orientado, para auxiliar nas disciplinas em que os alunos sentem dificuldades na aprendizagem; Preparação Acadêmica, para ajudar o estudante a dar continuidade aos estudos após o ensino médio; Preparação para o Mercado de Trabalho com os cursos técnicos; Disciplinas Eletivas para o enriquecimento cultural, de Aprofundamento ou Atualização de conhecimentos específicos que complementem a formação acadêmica; Tutoria e auxílio na elaboração do Projeto de Vida, que consiste em um plano para o futuro do discente.

Para a implantação das ECIs e ECITs o Estado investe em infraestrutura, dotando as unidades de ensino com equipamentos adequados para o estudante vivenciar atividades teóricas e práticas, e também, construindo novas unidades. A estrutura do novo modelo de escola conta com laboratórios de Robótica, Informática, Matemática, Química, Biologia e Línguas, além de sistemas portáteis de aquisição de impressoras 3D em cada unidade.

Essas escolas são organizadas com salas temáticas e outros espaços de vivências, onde os jovens poderão transitar, a partir do seu projeto de vida, em suas competências cognitivas e socioemocionais, de forma a desenvolver as suas potencialidades.

Escolas Cidadãs Integrais Técnicas

A qualificação profissional dos alunos se tornou prioridade para a educação pública na Paraíba, por isso a inclusão dos cursos técnicos integrados ao ensino médio traz avanços nas duas áreas importantes na vida do estudante: acadêmica e profissional. Na ECIT, os estudantes concluem o ensino médio com dois diplomas, um de conclusão do ensino médio e outro diploma profissional do curso técnico ofertado pela escola.

No modelo é comum que escolas integrais se transformem em integrais técnicas ao adicionar cursos técnicos ao currículo. São exemplos de escolas que em 2019 terão o curso técnico para estudantes que irão ingressar no 1º ano do ensino médio: a Escola Cidadã Integral Ezequiel Fernandes, localizada no Junco do Seridó, que vai oferecer o curso Técnico em Energias renováveis; a Escola Cidadã Integral Nenzinha Cunha Lima, localizada na cidade de Campina Grande, oferecerá os cursos Técnicos em Design de Interiores   e Marketing e a Escola Cidadã Integral Melquiades Vilar, localizada na cidade de Taperoá no bairro Santo Antônio, que vai oferecer os cursos técnicos em Administração e Agronegócio.

Resultados

Os resultados do modelo implantado em 2016 começam a aparecer. A Rede Estadual da Educação apresentou crescimento em todos os níveis de ensino de acordo com o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação da Paraíba (IDEPB) 2018. As Escolas Cidadãs Integrais tiveram o melhor resultado da rede desde o início da avaliação, saindo de 3,2 em 2017 para 3,7 em 2018, um aumento de 15%. A escolas regulares registraram um aumento de 5%.

Outro destaque no resultado das Escolas Cidadãs Integrais é que não só tiveram um aumento de 15% no índice, como 73 escolas, o que equivale a 85%, melhoraram em relação a 2017. Dos 10 primeiros lugares do 3º ano do Ensino Médio no ranking do IDEPB, cinco são Escolas Cidadãs Integrais.

No que se refere aos padrões de desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática considerando os níveis abaixo do básico, as Escolas Cidadãs Integrais apresentaram 30% de escolas com padrão de desempenho adequado, evolução de 16 pontos percentuais.

No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2017, indicador que mede o desempenho das escolas de todo o Brasil, os três melhores resultados da Paraíba foram de Escolas Cidadãs Integrais.

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) as escolas também apresentam resultados positivos. Dentre as cinco primeiras escolas da Paraíba com maior índice de aprovação no Enem 2017, quatro são integrais. De modo geral, a Paraíba superou o percentual do Nordeste de inscrições em 2018 no número de alunos concluintes da Rede Estadual de Ensino. O estado registrou média de inscritos de 35%, enquanto, na Região, a média geral é de 33%. As Escolas Cidadãs Integrais superaram o número do ano passado de 79% de inscritos, e alcançaram, neste ano, 91% dos alunos concluintes inscritos no exame. 

Vivências

A primeira escola a receber o modelo Cidadã Integral em 2016 foi a Escola Cidadã Integral Técnica Erenice Cavalcante Fideles, em Bayeux, também conhecida como ECIT Bayeux. A escola oferece para os estudantes o curso técnico de Design de Móveis e Mecânica Industrial e tem 432 alunos matriculados.

A transformação chamou atenção da comunidade que viu o engajamento dos estudantes em ações comunitárias desenvolvidas por meio de projetos na escola. A intervenção comunitária visa a mudança na comunidade que promova o bem-estar das pessoas por meio de aplicabilidade das competências da Base Comum Curricular e do curso técnico.

Para a coordenadora da ECIT, Ieda Cristina, após a implantação do modelo Cidadã a escola mudou completamente. “Essa mudança proporcionou aos nossos alunos ensino de qualidade. É um método que motiva também o professor que passa por formação contínua para dar suporte em conhecimento aos discentes”, falou.

Segundo o coordenador da área técnica, Tarcísio José, os alunos desenvolvem atividades práticas, os trabalhos são feitos por competências e habilidades. “Avaliamos o aluno pela forma prática, analisamos que nível o aluno desenvolveu aquela habilidade em determinados assuntos. Entramos com as disciplinas e intervenção comunitária, pensando no problema e uma solução, desenvolvemos o produto que é distribuído para a comunidade”, disse.

André Lucas dos Santos é ex-aluno da ECIT Bayeux, tem o diploma de Design de Móveis e sente orgulho da escola. “Estudar nessa escola é totalmente diferente, porque a gente vê uma realidade de escola pública que se preocupa com aluno. Por passar muito tempo na escola, vemos toda equipe escolar como uma família, um ambiente acolhedor e que veio para ajudar a todos, seja aluno ou professor”, ressaltou.

Para professora de Química Denise da Silva, os laboratórios da Escola Cidadã trazem facilidade na explicação dos conteúdos. “Ensinar a Química no laboratório é maravilhoso, pois vejo o resultado no aprendizado do aluno, eles conseguem compreender conteúdos considerados complexos. São aulas diferenciadas e que motivam mais os alunos a aprender a disciplina”, falou.

Gabryelly Alves, a aluna do 2º ano da ECIT Bayeux cuja rotina relatamos no início desta reportagem, diz ainda que estudava só um período, mas se adaptou rápido à nova escola. “Achei bem melhor estar numa escola de ensino integral, pois o ensino aqui é bem diferente, os professores são legais e preparados, me sinto como se tivesse com a família e a todo momento que a gente precisar, sempre vai ter o apoio de alguém. Além de tudo isso, saímos com diploma curso técnico e fica mais fácil de entrar no mercado de trabalho”, observou.

A estudante Camile Gabrielly descobriu nela talentos através de projetos de teatro realizado na escola. “A primeira coisa que aprendi quando entrei na escola foi perder minha timidez, aqui a gente não aprende apenas as matérias de base comum, a gente aprende a ser cidadão, através de clube de teatro, projetos da escola, fui perdendo minha timidez, fui me acostumando com o padrão da escola e hoje em dia não penso nem em sair daqui, é o modelo de escola acolhedora que a gente sempre tem o apoio de alguém. Vim de outra escola e apesar da ECIT ser bastante intensa com muitas atividades e aprendizado, somos gratos por esse novo modelo de escola pública”, contou.

Expansão – de Regular a Integral

Em 2019, 53 escolas regulares se tornarão Cidadãs Integrais. Para tal, as escolas precisam se adaptar ao novo modelo e passam por um processo de análise e reorganização, incluindo infraestrutura e parte pedagógica.

Na Escola Cidadã Integral a escola passa a ser direcionada por um trio gestor composto por  diretor, coordenador pedagógico e coordenador administrativo financeiro. para ocupar esses cargos, assim como o de professor e demais atividades,  os profissionais que compõem a escola passam por um processo de seleção: eles fazem uma prova, é realizada uma análise de conhecimento do modelo de escola  cidadã e a seguir a entrevista.

Todos os alunos da escola regular que passa a ser Escola Cidadã Integral apenas precisam fazer a pré-matricula e continuar estudando na escola. Caso o aluno seja de uma escola que agora oferece educação integral e não queira permanecer no modelo, basta procurar outra instituição próxima da sua residência para se matricular e dar continuidade aos estudos. Esse é um modelo de escolha, não pode ser imposto aos estudantes.

Já os alunos de Escola Técnica Regular que passa a ser Escola Cidadã Integral Técnica, precisam passar um processo seletivo para continuar estudando na escola. Para as ECITs são 180 vagas ofertadas para os estudante do 1º ano do ensino médio.

No início do processo de implantação, os pais dos alunos participam de reuniões que apresentam a comunidade como funciona uma Escola Cidadã Integral. Nas Escolas Cidadãs Integrais Técnicas as audiências explicam à comunidade como o curso técnico pode ser integrado ao setor produtivo na região. 

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