10:11, 26 jan 2017
ENEM

Estudante de Escola Pública do Pará atinge 980 pontos na redação do Enem

Foto: Agência Pará

A estudante Thainá Lobato de Souza, 17 anos, moradora do bairro do Marco, em Belém, e matriculada na Escola Estadual de Ensino Médio Albanízia de Oliveira Lima, obteve 980 pontos na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2017). A prova vale 1.000 pontos. O desempenho de Thainá foi reconhecido por alunos, gestores e professores nesta quarta-feira (25), que a homenagearam, junto com outros colegas que também se destacaram no Enem, com um troféu e a leitura de sua redação, no hall da unidade de ensino.

“Eu estou muito feliz com a minha nota no Enem. Agradeço aos professores que me incentivaram e à escola”, declarou Thainá, que estuda na Escola Albanízia Oliveira há três anos, desde o 1º ano do Ensino Médio. “Essa escola é muito maravilhosa, porque tem muitos projetos e preza mesmo pelo ensino, pela aprendizagem. Os professores são empenhados e orientam os alunos. Valeu muito à pena ter estudado aqui”, ressaltou a estudante, que pretende cursar Direito e atuar como delegada de polícia.

Filha da cozinheira Ana Carla Lobato e do assistente administrativo Rosivaldo Souza, Thainá está consciente da importância dos estudos, e se empenha principalmente na construção de textos. “Os professores nos ensinaram o caminho para uma boa nota na redação. Eu aprendi, por exemplo, que os conteúdos de outras disciplinas podem e devem ser utilizados na redação”, informou.

Projeto - Desde o primeiro ano ela participa do projeto coordenado pela professora Ione Franco, de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Graças ao projeto, hoje Thainá e outros alunos foram homenageados pelas redações que escreveram no Enem. “Esse projeto foi muito importante para mim. O projeto trabalhou o tema da convivência com as diferenças, e incluiu como subtema a intolerância religiosa, justamente o tema da redação do Enem”, destacou Thainá Lobato de Souza, que alcançou uma das maiores notas na redação alcançadas por candidatos do Pará.

Também foram agraciados com medalhas os estudantes Késia Cristina Silva, Suziane Trindade, André Washington Silva, Gustavo Pinto, Ingrid Karoline Henrique, Larissa Silva, Amanda Braga e Bárbara Santos. Professores e amigos da escola e do projeto pedagógico, entre os quais o poeta Ronaldo Franco, também receberam medalhas de reconhecimento oferecidas pela comunidade escolar.

Metodologia - Em 2016, o projeto Construindo e Reconstruindo o Texto começou suas atividades em março, mobilizando 186 estudantes do 2º e 3º ano. As professoras Ione Franco e Sueane Freitas identificaram, no começo do trabalho, que os estudantes construíam textos sem argumentação e o cuidado merecido. “Passamos, então, a trabalhar com os alunos referenciais e argumentações do ponto de vista filosófico, histórico e sociológico, além do foco na linguagem. Trabalhamos uma visão de mundo, ou seja, que essa reflexão não ficasse restrita apenas à construção de textos, mas, de forma prática, para o dia a dia deles”, explicou Ione Franco.

Como resultado dos meses de pesquisa e atividades, os estudantes expuseram os trabalhos de uma forma inovadora na entrada da escola. Textos, letras, poemas, fotos e conteúdos trabalhados em sala de aula foram mostrados em meio a elementos da construção civil, como tijolos, baldes de tinta, telhas e andaimes. Os rascunhos dos alunos para construir textos foram reunidos em um carrinho de mão. O carro com areia abrigou letras coloridas. Em uma escada, tópicos de gramática foram afixados nos degraus. Pensamentos filosóficos foram expostos em cartazes no meio de um “canteiro de obras”. Os versos do poeta Carlos Drummond de Andrade – “tinha uma pedra no meio do caminho” – ganharam um significado especial entre as pedras, para expor a superação dos estudantes diante dos desafios na construção e reconstrução de textos.

“As escolas públicas têm sido agentes de transformação cultural ao associar o ensino instituído e o ensino lúdico. A exposição aqui relaciona a arte de escrever com o cenário da construção, porque um texto nunca está completo”, afirmou o poeta Ronaldo Franco.

Leitura e conhecimento - Na construção de textos e da própria vida, ressaltou Thainá, predomina a importância da leitura, o gosto pelos estudos. “O importante é ler muito. Quem não lê, não escreve bem, não tem uma boa caligrafia, não conhece novas palavras”, enfatizou. Na vida de Thainá o gosto pela leitura vem desde cedo. “A minha mãe me dava muitos gibis. Como eu tinha quatro anos não sabia ler, mas ficava imaginando o que tinha nos balões das histórias. Aí, eu fui crescendo, e sempre tive um bom rendimento em Língua Portuguesa”, acrescentou a estudante.

Além de gostar de ler e pesquisar, é preciso que o estudante esteja atualizado sobre os principais temas que afetam diretamente a sociedade. “A gente tem que ser nosso próprio avaliador, ser criterioso com o texto, não repetir palavras e usar muito bem os conectivos”, pontuou Thainá Lobato. “Quem não lê facilmente é enganado, fica dependente dos outros, não tem autonomia. Quem não lê não descobre os prazeres do conhecimento”, enfatizou.


Texto:Eduardo Rocha

Fotos:Eliseu Dias


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