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educação indígena 16:55, 17 abr 2018 Escolas do Pará promovem discussões sobre consciência indígena

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Com uma programação de três eventos escolares, iniciada no dia 12, em Belém, a Coordenadoria de Educação Escolar Indígena (Ceeind), da Secretaria de Estado de Educação, promove a Semana da Consciência Indígena. No dia 19 será celebrado o Dia do Índio. 

Nesta quarta-feira (18), a partir das 14 horas, a Ceeind participará de uma Roda de Conversa na Sala de Recitais da Universidade do Estado do Pará  (UEPA). No evento, organizado pelo Grupo de Estudos Indígenas na Amazônia (GEIA/NUFI/UEPA), será abordado o tema “Educação Escolar Indígena no Pará: políticas, práticas pedagógicas e desafios”.

Ao longo dessa semana, o coordenador da Ceeind, Mydjêre Kayapó Mekrangnotire, representa a Seduc  na Semana dos Povos Indígenas, em São Félix do Xingú, na região do Araguaia. Em maio, uma programação será realizada na Escola Ministro Alcides Carneiro.

A Semana começou com uma programação de música e poesia indígenas na Escola Renato Conduru, no conjunto Promorar, no Bairro de Val de Cães, em Belém. E na segunda-feira (16), na Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA), a mesma programação se repetiu com a abertura da “Semana de Música Indígena”, os técnicos da Ceeind, Adriana de Jesus e Gérbson Nascimento participaram do evento.

Já na escola Dom Pedro II a programação da Semana ocorreu na segunda-feira (16), abordando o tema “Povos Indígenas Urbanos e Invisíveis”. Outro momento acontecerá na Escola Cornélio de Barros, onde será discutido, dia 23,  o tema “Povos indígenas: Identidade, soberania e autossustentabilidade”. As discussões contarão com a participação do indígena Miguel Tembé e representantes da Ceeind, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Evento mostra tradição musical e cultural do povo indígena

A música dos povos indígenas é tema pouco abordado no mundo acadêmico e o evento na EMUFPA teve o mérito de dar visibilidade a essa questão. A programação inclui palestras, mesas-redondas, exibição de documentários, rodas de conversa, exposição fotográfica e apresentações musicais. A programação é gratuita e segue até sexta-feira (20). 

A cantora, compositora e ativista indígena Márcia Kambeba, que esteve dia 12 com os alunos da Escola Renato Conduru,  participou de uma discussão sobre o tema “Música e Cultura indígena na Amazônia”.  Geógrafa de formação,  Márcia é de etnia Omágua Kambeba, do Amazonas. Na ocasião, foram apresentadas a tradição musical e cultural  do povo indígena.

 “A universidade abrindo suas portas para receber a nossa música é uma forma de  manter a nossa resistência e mostrar que temos muito a contribuir com a sociedade”, avalia Márcia Kambeba.

 No calendário de 2018 da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA) há a obrigatoriedade de destinar um dia do ano letivo para tratar das tradições africanas, em detrimento da temática indígena.  "Não há nenhuma obrigatoriedade na legislação quanto à realização de eventos como este, como existe em relação ao Dia da Consciência Negra, mas entendemos a necessidade de discutir o tema, que é tão relevante, especialmente na Amazônia”, explica a coordenadora do evento, Audrei Alencar. 

Além da apresentação de Márcia Kambeba, haverá recitais de diversos grupos artísticos da EMUFPA: canto coral, banda sinfônica, quarteto de saxofones, orquestra e piano solo. Todos apresentarão ao menos uma composição musical relacionada à cultura indígena. Inclusive, a Banda Sinfônica da EMUFPA apresentará arranjos inéditos para duas composições de Márcia Kambeba, assinados pelo maestro e professor Agostinho Fonseca Júnior. 

A programação fecha com a palestra musical da psicóloga Renata Almeida que abordará a ancestralidade da música indígena. 

Texto Camila Barros (Ascom Seduc)

Fotos Eliseu Dias (Ascom Seduc)


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