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Rio Grande do Sul 13:17, 23 nov 2016 Educação recebe maior investimento em 10 anos no Rio Grande do Sul

Oferta de Ensino em Tempo Integral foi ampliada de 46 escolas, em 2015, para 104, neste ano. O número de estudantes atendidos passou de 9,9 mil para 20,5 mil. Alunos e professores de escolas estaduais receberam 80 mil conjuntos de mesas e cadeiras, por meio de um convênio de R$ 15 milhões firmado com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Investimento em 2015 foi de R$ 727,6 milhões. A aplicação é a maior da década.
Foto: Roberto Witter, Seduc-RS

POR MARIELI RANGEL E ALESSANDRA PINHEIRO | ARTE: DODA SANTOS | EDIÇÃO: GONÇALO VALDUGA

Mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo do Estado, o investimento em educação é permanente, e em 2015, chegou a 33,7% da receita líquida arrecadada em impostos, o que representa R$ 727,6 milhões em recursos. A aplicação é a maior da década.

Neste ano, os investimentos seguem no mesmo patamar. Na área de infraestrutura, já foram contratadas 696 obras, ao custo de R$ 57 milhões. Para acelerar a execução das melhorias, a Secretaria da Educação descentralizou a contratação dos serviços em 510 casos. Com isso, a responsabilidade de aplicar os recursos foi compartilhada com as direções de escolas.

Outro investimento significativo foi na compra de mobiliários. Alunos e professores receberam 80 mil conjuntos de mesas e cadeiras, por meio de um convênio de R$ 15 milhões firmado com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Mais R$ 20 milhões da Consulta Popular serão utilizados na aquisição de utensílios e equipamentos, que as escolas definiram como prioridade. O material servirá para melhorar os serviços em laboratórios ou cozinhas, entre outros setores.

Na escola Maria Cristina Chika, localizada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, os investimentos ajudaram a construir um novo prédio para a instituição. "Começamos do zero. É uma escola totalmente nova, com ginásio de esportes e novas salas de aula. Estamos ansiosos para iniciarmos esta nova etapa, é algo que esperamos desde 2014, quando as obras começaram", afirma a diretora Ivelise Camboim.

Hoje, a instituição abriga 740 alunos em nove salas de aula, do 1ª ao 9ª ano do ensino fundamental. A falta de espaço para o aprendizado fez com que a escola se organizasse em quatro turnos para atender aos estudantes. Desta forma, a escola não consegue atingir o número mínimo de quatro horas de aula diárias. Com o novo prédio, o problema será resolvido com 15 salas de aprendizado, laboratórios de informática e ciências, além de elevador para acessibilidade.

Após a conclusão, a antiga estrutura servirá para salas de oficinas recreativas, brinquedoteca e de recursos para atividades psicomotoras. Uma horta colaborativa também está nos planos, além de formaturas e gincanas no novo espaço esportivo.

Caroline Souza de Souza, 12 anos, é uma das alunas que aprovam a nova estrutura escolar. Segundo ela, a turma está empolgada com a mudança de prédio. "Vamos ter um recreio mais divertido com espaço para conversar e brincar. Estudo aqui desde criança e lembro da estrutura ser precária e com salas apertadas. Com o novo prédio será muito melhor", conta.

Para o professor de história Paulo Leandro Menezes, as aulas ficarão mais interessantes pelas oportunidades que o novo espaço gera. "Poderemos criar espaços temáticos, produzir peças de teatro e oficinas que incentivem os estudantes a aprenderem brincando. Podemos soltar a criatividade porque agora temos infraestrutura para isto", explica.

TEMPO INTEGRAL

O ensino em Tempo Integral também é uma das prioridades desta gestão. Por isso, o número de escolas funcionando nessa modalidade saltou de 46, em 2015, para 104, neste ano. O número de estudantes também passou de 9,9 mil para 20,5 mil.

Os professores receberam qualificação e foram feitas melhorias nos colégios para abrigar mais estudantes, que permanecem sete horas por dia nos turnos da manhã e tarde. A proposta pedagógica foi elaborada pelo Departamento Pedagógico da Secretaria da Educação, para nortear a construção de Regimentos Escolares e Planos de Estudos.

Além disso, os mais de 20 mil alunos recebem quatro refeições diárias, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Em junho do ano passado, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Bahia, no bairro Boa Vista, iniciou o trabalho em dois turnos diários completos. Um ano após a medida ser aplicada na rotina dos alunos, a diretora Liana Garces afirma que a iniciativa já apresenta resultados positivos. "É algo que vai além do aprendizado. Agora o professor consegue identificar melhor as necessidades de cada aluno e fazer com que ele se sinta integrado ao ambiente", avalia. Além de servir como experiência social, o sistema ensina os alunos a conviver em grupo e trabalhar a argumentação no meio coletivo.

O projeto atende a estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, com horário de funcionamento das 8h às 17h. Durante este período, são oferecidas disciplinas como Português, Matemática, Meio Ambiente, Saúde e Alimentação, oficinas e atividades recreativas. Para a professora Gabriela Borsato, é um incentivo para os alunos se interessar por novas atividades. "Ele precisa ser aplicado em todas as escolas. É uma iniciativa que permite tirarmos crianças das ruas e trabalharmos com o lado lúdico e criativo delas, apresentando novos caminhos", ressalta.

Ainda são inseridos jogos e outras atividades extracurriculares para não se cansar do ambiente escolar. "Se a manhã está bonita, fazemos a aula sobre meio ambiente no pátio. Em datas comemorativas, as oficinas de artesanato são temáticas. Ou seja, é um trabalho muito dedicado ao aluno", conta a diretora.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES

O corpo docente que atua em sala de aula recebe constantemente formação continuada para aprimoramento da qualificação do ensino. Em 2015, mais de 48 mil professores foram envolvidos em capacitações, e até o primeiro semestre deste ano, 7 mil educadores já haviam passado por formações em diferentes etapas da Educação Básica. Há também capacitações para diretores de escolas. A primeira delas, à distância, está em curso e é feita em parceria com o Tribunal de Contas do Estado. Para março de 2017, está previsto o início de formações presenciais em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O investimento no processo de aprendizagem será mensurado por meio do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do RS (Saers), retomado nesta gestão. As provas permitirão intensificar o trabalho em disciplinas nas quais os alunos enfrentam maiores dificuldades. Os recursos para execução do Saers serão do Banco Mundial, e a empresa já foi contratada.


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