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ensino remoto 14:43, 14 out 2020 Durante a pandemia, escolas de Foz do Iguaçu auxiliam estudantes que moram no Paraguai

Durante a pandemia, escolas de Foz do Iguaçu auxiliam estudantes que moram no Paraguai

O empenho de professores e diretores dos colégios de todo o estado tem sido essencial para que os estudantes mantenham o vínculo com a escola e a rotina de estudos durante a pandemia. Na fronteira entre Brasil e Paraguai, o esforço se torna ainda mais importante: desde a metade de março, a divisa entre os dois países está fechada, afetando a vida de muitos estudantes brasileiros e paraguaios que estão matriculados em escolas da Rede Estadual.

De maneira geral, os chamados “brasiguaios” (brasileiros que residem no território paraguaio) já lidam diretamente com questões como o fuso horário (Paraguai está uma hora atrasado em relação ao Brasil) e com o trânsito de travessia da fronteira diariamente.  Ainda há a diferença de qualidade entre o sistema público brasileiro e o paraguaio.

Uma aluna ou aluno matriculado na rede pública do Paraguai tem o curso curricular da língua Guarani, por exemplo, e não tem o ensino do Português. Muitos desses fatores fazem com que famílias optem por matricular os filhos em escolas brasileiras, mesmo que isso represente um esforço maior ainda. Para ingressar na rede estadual de ensino, não há restrição para estrangeiros.

Escolas brasileiras que atendem diversas nacionalidades - O Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, por exemplo, conta com cerca de 30 estudantes que cruzam a divisa todos os dias para estudar, sendo 22 brasileiros e 8 paraguaios. “A rotina deles é normal, pois na escola temos muitos outros alunos que são paraguaios, árabes e libaneses, mas que já moram no Brasil. Temos um bom convívio social e de muito respeito entre eles. Alguns alunos paraguaios têm um pouco de dificuldade com o português no primeiro ano no colégio, mas aprendem rápido”, comenta Maycon Alves Rodriguez, diretor da escola.

Força-tarefa para alcançar alunos além da fronteira - Por conta da pandemia, esse grupo de estudantes está contando com o trabalho dos professores para enviar o material pelas redes sociais e auxiliar os alunos por grupos de Whatsapp e ligações, uma vez que o acesso ao aplicativo Aula Paraná não é possível do lado de lá da fronteira.

A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed) fornece pacotes de internet 3G e 4G em parceria com as quatro maiores operadoras de telefonia do Paraná (Claro, Oi, Vivo e Tim). Assim, alunos e professores de todo o estado podem acessar gratuitamente os aplicativos Aula Paraná e Google Classroom, em território nacional. “A maioria desses alunos não conseguiu baixar o aplicativo e lá eles não têm acesso às aulas pela televisão, então acessam pelo Youtube”, explica Maycon.

“Nós enviamos para todos esses alunos via e-mail as atividades que os professores mandam para imprimir, até porque a fronteira está fechada e eles não conseguem vir até o colégio”. Os alunos então imprimem as atividades, realizam os exercícios, e enviam aos professores de volta para correção.

Rede paranaense é preferência na hora da matrícula dos alunos da fronteira - A estudante Alana Ibarra, do colégio Costa e Silva, vive em Ciudad del Este e teve dificuldades no começo da pandemia para conseguir acompanhar todo o conteúdo. “Antes do isolamento costumava ser bem legal acordar cedo, ir para a escola e conviver com amigos e professores. Desde que começou a pandemia, tem sido complicado, por não ter os professores presentes, mas com o tempo eu consegui realizar tudo que foi pedido”, comenta a jovem, que conta com a ajuda dos pais fisicamente e dos professores pelas redes sociais. O pai de Amanda, Paulo Ibarra, conta que matriculou a filha no Brasil pela qualidade do ensino paranaense e pela facilidade que a filha vai ter em ingressar numa faculdade brasileira no futuro.

Jean Carlos dos Santos Fabris tem 14 anos e também é aluno do Costa e Silva. Ele está aproveitando a quarentena para desenvolver pesquisas por conta própria. O estudante conta com a ajuda dos professores da escola nos trabalhos. “Nós não temos acesso às aulas na TV e nem pelo aplicativo, porque aqui do Paraguai não conseguimos acessar. O jeito é procurar na internet e livros didáticos, e os professores mandam bastante material por e-mail.”

O diretor Maycon reforça que as redes sociais têm sido o grande diferencial. “Tivemos muita dificuldade para conseguir entrar em contato com esses alunos, mas através das mídias sociais e com a rede toda de estudantes, conseguimos entrar em contato com todos,” afirma.

Colégio Agrícola - Para os alunos do Colégio Agrícola Estadual Manoel Moreira Pena, a rotina está ainda mais intensa. Os estudantes têm uma grade recheada de aulas práticas, que foram impactadas diretamente pela pandemia. “Tem sido bem difícil, porque estamos fazendo tudo o que já faríamos, mas em muito menos tempo. Fazemos as atividades do Google Classroom e também a parte prática que os professores mandam por e-mail ou Whatsapp”, descreve Bruna Colossi, de 16 anos, que também reside em Ciudad del Este, a 120 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu. “Eu assisto às aulas pela internet, mas o único problema é que não tenho o sinal brasileiro para acessar o aplicativo, então, preciso usar o celular de parentes e aproveitar o que os professores mandam.”

A mãe de Bruna, Meri Colossi, explica que a parte prática do colégio tem exigido bastante dos estudantes. “Nossa preocupação era o tanto de matérias práticas que os alunos do Colégio Agrícola têm, pois sobrecarregou um pouco os alunos. Felizmente, os professores mandam tudo à parte e acompanham de perto”, reforça Meri, que optou pela educação brasileira pela qualidade encontrada deste lado da fronteira.

“O colégio ensina muito bem. Meu filho é ex-aluno do Agrícola e hoje está cursando agronomia; boa parte do conteúdo dos primeiros dois anos da faculdade ele já havia visto na escola”, conclui.


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