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São Paulo 16:12, 31 mai 2019 “Afetividade em Letras”, o projeto que faz estudantes e idosos trocarem cartas e experiências

“Afetividade em Letras”, o projeto que faz estudantes e idosos trocarem cartas e experiências

Iniciativa acontece em quatro escolas de Mogi das Cruzes. Celebração foi nesta quinta-feira (30)

Auxiliar diretores na gestão da escola, elaborar projetos com os professores e atuar nas atividades da escola. São muitas as funções de um Grêmio Estudantil. Na Escola Estadual Professor Ilson Gomes, em Mogi das Cruzes, a lista é mais extensa e inclui escrever cartas para quem tem muito mais anos de vida e experiência para compartilhar.

A iniciativa, chamada de “Afetividade em Letras”, reuniu mais de 200 pessoas nesta quinta-feira (30), em comemoração à marca de um ano do projeto. Estudantes do Ensino Médio criaram o hábito de trocar cartas com os moradores do Asilo Pró + Vida, localizado próximo à unidade. Assim, desenvolvem uma conexão especial, de amizade, e promovem atos de socialização e inserção do idoso na vida cotidiana.

“Tudo isso nasceu da nossa vontade de nos colocarmos no lugar do outro e exercitar o carinho e o olhar ao próximo. Quando você escreve algo para alguém que não conhece, entra em contato com um mundo novo”, conta Camila Vitória, estudante do 3º ano do Ensino Médio. Decidida a fazer enfermagem após a conclusão da Educação Básica, ela é uma das quatro presidentes do Grêmio Estudantil “A.L.E” (Aliança pela Liberdade Estudantil), responsável pela organização do evento.

O evento de comemoração contou com uma mesa de pães e bolos, um ato de recepção aos moradores do Asilo e apresentações musicais. Munido de um violão, um dos alunos embalou canções como “Só os Loucos Sabem”, de Charlie Brown Jr.; e “Ana Júlia”, de Los Hermanos. Foi a celebração do sucesso da iniciativa, que já conta com quatro escolas participantes na região de Mogi.

A iniciativa surgiu por coincidência. “Estou terminando minha formação em Letras e pensei em montar uma aula interativa, que saísse da sala de aula. Vi no grêmio estudantil uma grande vontade de unir escola e comunidade, e pensamos juntos na proposta de cartas para o asilo”, conta Rosemeire Gonçalves, professora de Língua Portuguesa. Responsável por aulas de português e pela revisão das cartas enviadas, é dela o nome mais celebrado pelos estudantes.

Além de cartas, os estudantes também organizam feiras de doações para o Asilo. Sabonetes, fraldas geriátricas, lenços umedecidos e leite são alguns dos itens arrecadados com a comunidade. A autonomia dos estudantes é exercitada também nos processos: são eles que articulam tudo, desde o contato com o asilo até o envio das cartas, passando pela organização do evento.

Uma experiência transformadora, que coloca o estudante como protagonista de sua própria história e ensina, na prática, habilidades como responsabilidade e empatia.

“Sempre quando falamos em grêmio estudantil, falamos em protagonismo. O papel da escola não é chegar com ideias prontas, mas sim ser a porta de entrada para um universo no qual o estudante formula suas próprias reflexões e atos conscientes”, explica Marivaldo Freis. Professor com mais de trinta anos na rede pública, ele trabalha especificamente com grêmios estudantis em Mogi das Cruzes.

Mesmo tendo tomado o dia inteiro, com a participação de todos os estudantes da unidade, o Grêmio Estudantil não para por aí. A afetividade em letras continua no 2º semestre, assim como a troca de cartas. E mais projetos e ações inovadoras já estão saindo do papel. “Essa comunidade sempre foi extremamente ativa nos grêmios estudantis. Esperamos que outras boas ações aconteçam, porque esse tipo de atividade pode ser levada para o resto da vida”, comemora o professor de português Álvaro Augusto.

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